terça-feira, 21 de maio de 2013

Maduro ameaça cidadãos venezuelanos e viola Constituição afirmando saber quem votou em seu opositor


Nicolás Maduro (Fotógrafo: Fernando Llano)
Recentemente, após a morte de Hugo Chávez, ocorreu a eleição presidencial na Venezuela. A disputa se concentrou entre Henrique Capriles, Partido Justiça, e Nicolás Maduro, Partido Socialista Unido da Venezuela, sendo este o sucessor indicado por Chávez e o primeiro o opositor. 

Maduro, que assumiu interinamente a Presidência da Venezuela, quando Hugo Chávez se afastou para tratar o câncer,  ganhou a disputa com 50,66%. Mas uma grande polêmica tomou conta do país: Capriles afirmava com veemência que as eleições foram fraudadas, que havia irregularidade nos pleitos, e que, portanto, os votos deveriam ser recontados ou a eleição ser repetida. A atitude dele foi apoiada pelos Estados Unidos. 

Em contra partida, o Partido Socialista, com o apoio de países latino-americanos e europeus, conseguir conter a polêmia, e a situação estabilizou, a certa medida, na Venezuela. 

No entanto, numa declaração no último dia 18, a respeito de um projeto de habitação que se iniciou ainda no governo de Chávez, Maduro afirmou, em crítica aos beneficiados do programa - cerca de 900 mil - que votaram no falecido ex-presidente em 2012, mas, neste ano, votaram na oposição: "Os apadrinhados roubaram o dinheiro [do programa], e agora pretendem cobrar as moradias do nosso povo". Disse também que sabia exatamente quem eram esses 900 mil, "a carteira de identidade e tudo".

Segundo a Folha, o Copei (Partido Cristão da Venezuela) vai entrar com uma ação no Supremo Tribunal de Justiça para que considere o ato de Maduro como criminoso. O vice-presidente do partido, Enrique Naime, disse: "É claramente um ato criminoso de Maduro contra todos os venezuelanos e a Constituição quando ele diz ter a lista desas 900 mil pessoas". 

Além de dizer que o atual presidente teria violado o artigo 63 da Constituição, "que estabelece claramente que o sufrágio é um direito, livre, universal, direto e secreto", indagou: "De onde ele tirou essas listas? Quem as entregou? Foram os senhores reitores do Conselho Nacional Eleitoral?".
Henrique Capriles (Fotógrafo: Ronaldo Schemidt)

Já Capriles, depois de relembrar que o voto é secreto, disparou: "Se esse cavalheiro diz que ele sabe quem não votou nele, então está dizendo que a eleição é fraudulenta, porque a lei diz que o voto é secreto." 

Depois de afirmar que, na verdade, era apenas uma tentativa de inibição aos ex-governistas que votaram nele, acrescentou: "Nosso povo pode ficar tranquilo, porque fazem isso para ver quem, entre aqueles que trabalham em instituições do Estado ou estão em um programa social do governo, cai na armadilha para depois se lançarem contra eles. Ninguém sabe em que você votou."

Como destacou a Veja, o opositor foi apoiado por um membro do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do país, Vicente Díaz. Segundo Díaz, a declaração de Maduro é uma ameaça e evidencia o medo como tática de campanha, e que foi um ato criminal e de coação pública.

Lígia Ferreira é jornalista e analista de mecanismos sociais.

Com informações de VEJA e Estadão.
Comentários
0 Comentários
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...