quinta-feira, 23 de maio de 2013

Milícia Bolivariana tem nítido caráter ditatorial, fascista e totalitário



Culto de personalidade evidente em manifestações da Milícia Nacional Bolivariana
Em reação ao artigo publicado por Lígia Ferreira na Folha Política (leia clicando aqui), simpatizantes do regime bolivariano - assim como Fidel Castro, em seu síte Patria Grande e na página Reflexiones de Fidel - alegaram que as milícias constituem as Forças Armadas da Venezuela, sendo destinadas apenas à defesa da integridade nacional contra ameaças. Segundo tais indivíduos, a denúncia seria tendenciosa, na medida em que todos os países têm suas forças de proteção da soberania.

Repare a similaridade da propaganda de Hugo Chávez com a de Josef Stálin, ditador socialista-comunista responsável por genocídio que vitimou entre 20 e 30 milhões de pessoas

No entanto, tais afirmações são risíveis, tamanha a distorção.
Em primeiro lugar, o país já possui Forças Armadas. Secundariamente, o culto à personalidade de Hugo Chávez, antecessor de Maduro (PSUV), é evidente em suas manifestações, discursos, posturas e ideologia (vide imagem acima). Terciariamente, as intenções de Maduro revelam a explícita tendência ao totalitarismo e à militarização: afirma desejar que quase 10% da população da Venezuela constitua a milícia. Além disso, tais milícias são apresentadas como um meio - conforme dito pelo próprio Maduro - de defender a Revolução Bolivariana, não o país. Adita-se a isto a profusão de denúncias de violência, opressão, perseguição e intimidação perpetradas contra opositores.

Veja o culto de personalidade em relação a Hugo Chávez, em apresentação da Milícia  Nacional Bolivariana. Clique na imagem para ampliar.
Ora, como, em um regime democrático, pode haver uma milícia destinada a fazer parte da consolidação dos planos de um só indivíduo ou de um só partido? Como, em um país democrático, onde preponderem a pluralidade, o diálogo, o contraditório, o respeito às minorias, entre outros, pode haver um grupo armado destinado a, evidentemente, intimidar opositores? Imaginam os defensores que é legítimo que seja obrigatória a adesão aos escopos totalitários do regime atual? Por que não existem milícias contra o totalitarismo, contra a ditadura chávez-madurista, contra o intuito monopartidário? Cabe indagar.

A questão é complexa, haja vista o caráter totalitário do regime: informações são bloqueadas, interditadas, predominam a manipulação da informação, a desinformação e a incerteza. No entanto, usando de registros, discursos, imagens, análise sociológica e política, em caráter lógico, podem ser construídas teses bastante razoáveis.

A mensagem de suas apresentações é areada, os milhares de armados ao lado de figuras quase mitológicas de Chávez não o negam: "Opositores, vejam e submetam-se ao nosso poder, a Chávez, à Revolução, nós vencemos".

E não faltam opositores. Vale ressaltar que a eleição - com diversas acusações de fraude - de Maduro deu-se com vantagem de apenas 1,5%. Em passeatas recentes, os opositores ao regime chavista-madurista "bolivariano" encheram as ruas de Caracas:










Aos bons conhecedores de regimes totalitários e da História, é expresso o uso intimidatório, totalitarista, violento e ideológico. Aparentemente, deve-se isso ao crescimento substancial da oposição na Venezuela. Isso em nada se confunde com as Forças Armadas, destinadas, em países democráticos, a garantir o cumprimento da Constituição, da democracia, da pluralidade, do voto, entre outros. 

Será mesmo que os apoiadores da tese "democrática" do regime não perceberam que não há cores da oposição - como na foto acima desta - nas exibições de poder das milícias? Será que as mesmas são neutras e representam toda a população contra ameaças externas? Cabe a indagação.
Exemplos históricos não faltam. Usando da técnica sectária e do discurso do "Nós contra eles", o Bolivarianismo contrapõe o justo, belo, viril, virtuoso e revolucionário ao "imperialismo", ao "demônio estadunidense", à "mídia capitalista", aos "burgueses", assim como Hitler declamava contra os judeus, os ciganos, os estrangeiros, os capitalistas; os totalitarismos marxistas-leninistas contra a "burguesia", o "fascismo", o "imperialismo", o "liberalismo", o "capitalismo"; o Fascismo contra o "comunismo", o "liberalismo", o "capitalismo", entre outros. 

Concomitantemente, tais grupos acrescem poder militar, ódio, violência e milicialização, carência de diálogo e opressão contra todos os opositores, tornando-os caricaturais ou maquiando a sua existência: toda resistência acarreta eliminação, distorção ou caricaturalização. Desse modo, ocultam-se as falhas e os abusos do regime.

Camisas Negras, milícia do ditador fascista Benito Mussolini, praticava violência, intimidação, extermínio, coação e cultos de personalidade
Benito Mussollini
Juventude Hitlerista - Alemanha Nazista
Exibições de poder, culto de personalidade e militarismo na Alemanha Nazista
Waffen-SS -  milícia da Alemanha Nazista

Waffen-SS -  milícia da Alemanha Nazista

Milícia Nacional Bolivariana - repare na bandeira de Cuba e nas cores  dos sujeitos  no entorno. Será que todos os cidadãos venezuelanos apóiam Cuba? Por que a exibição de tal bandeira, que não é a nacional, ao lado de armas e gritos de guerra?
Milícia Nacional Bolivariana - repare nas bandeiras vermelhas
Milícia Nacional Bolivariana exibe armas
Marcha da Milícia Nacional Bolivariana pelas ruas da Venezuela

Repare na Milícia Bolivariana atrás da exibição de Chávez. Será que prestam tais reverências a políticos da oposição e a cidadãos opositores, de modo neutro?

Evidência do caráter militarista e violento do Regime. Repare nas bandeiras vermelhas
Dilma Rousseff presta reverência e apoio ao Regime

Aos brasileiros, convém lembrar que o regime é apoiado por Dilma Rousseff, presidente do Brasil, a qual contribui, inclusive, para o culto de personalidade tipicamente totalitarista. Não se tem notícias de sua contraposição a tais práticas - pelo contrário. 

Ademais, a despeito do que alegam os defensores, tal atitude não foi um ato meramente diplomático. Na diplomacia, predominam o diálogo, o aperto de mãos, o discurso. É óbvio que, ao hastear a fotografia de Chávez, ao lado de Maduro, Dilma - além de diversas outras declarações e atitudes - defende o regime, alia-se a ele, externa-o como algo bom e positivo, levanta a sua bandeira e contribui para a cultuação do mesmo. Talvez seja o caso de alegar que não sabia de nada.


Maurício Chiaro é professor.
Comentários
0 Comentários
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...