quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Fraude na prefeitura de SP ocorre há pelo menos 14 anos, diz ex-mulher de auditor


Imagem: Adriano Vizoni / Folhapress
O esquema de fraudes na cobrança de ISS (Imposto Sobre Serviços) na Prefeitura de São Paulo começou há 14 anos, afirmou ontem a testemunha Vanessa Caroline Ferreira, ex-mulher do auditor fiscal Luis Alexandre Cardoso de Magalhães. Na época o prefeito da capital era Celso Pitta.

Ela prestou depoimento de cinco horas ao Ministério Público para dar mais detalhes de como funcionava a máfia do ISS, que pode ter causado rombo de R$ 500 milhões nos cofres públicos. Os promotores vinham investigando o sistema de propina a partir de 2005.

Ao deixar o Ministério Público, ela disse que o próprio Magalhães lhe contou sobre quando podem ter começado as fraudes.

"O esquema de corrupção --o que o Luis contou para mim-- vem desde quando ele entrou na prefeitura. Tem no mínimo 14 anos. Quando ele ingressou, apreendeu o achaque. Não era um crime organizado, que nem [depois, quando] eles formaram a quadrilha", afirmou.

Os promotores questionavam Vanessa, segundo ela, sobre pontos ainda obscuros no caso. "O depoimento foi mais voltado ao enriquecimento ilícito e detalhes que eu conhecia dessas pessoas, a vida cotidiana, quem vendia joias para quem."

A testemunha ainda afirmou que os promotores enfrentam dificuldades para avaliar as provas apreendidas. "Disse onde eles iriam encontrar alguns arquivos. Há uma quantidade enorme de informações que eles não estão conseguindo desdobrar."

Ela ainda reafirmou que Magalhães lhe revelou ter colaborado na campanha para vereador, em 2008, do ex-secretário de Governo Antonio Donato (PT). Donato nega ter recebido dinheiro do auditor.

"Eu não tenho por que mentir. O Luis foi claro comigo quando falou: 'O Donato, dei dinheiro na campanha passada dele, espero que ele lembre de mim'."

Vanessa disse também que pessoas ligadas a ela vêm sofrendo ameaças.

"Já houve três ameaças contra pessoas próximas a mim. Nesta semana foi ameaçada a esposa do meu advogado, dois carros fecharam o dela. Ela saiu do Estado, ele está apavorado."
Folha de S. Paulo
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