quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Usuários colam placas sobre superfaturamento em trens do metrô


Imagem: Reprodução
Lêem-se as seguintes placas no vagão da linha verde do metrô: "Mapa do Transporte Metropolitano", "Assento preferencial","Este trem foi superfaturado em uma licitação fraudulenta" e "Saiba como agir em caso de anormalidade".


No caso, quem se mexe contra a anormalidade é o próprio metrô de São Paulo: idêntica às placas institucionais, a mensagem anônima sobre o cartel denunciado pela Siemens já tem mais de 5.000 compartilhamentos em redes sociais.

Além de espalhar fotos dos trens, usuários paulistanos reproduziram a placa e disponibilizaram o arquivo para download. Eles defendem o "anonimato" e o "domínio público" nesse tipo de intervenção urbana.
 
"Até estou procurando o verdadeiro autor. Queria me explicar e contar que refiz a arte para as pessoas espalharem", diz o designer gráfico André Buika, 29, que recriou a imagem em alta resolução.

Ele ofereceu duas versões da mensagem em seu site porque "acredita na intervenção urbana como forma de protesto".

O blogueiro Aldine Paiva, 36, que publicou o link para a imagem e registrou 10.000 visualizações em 24 horas, também não faz ideia de quem seja o autor original.

"A ideia é que o máximo de pessoas reproduza, baixe, imprima e cole por si mesma", diz. "É bacana usar o layout do próprio metrô."

INTENÇÕES ELEITOREIRAS

Segundo o PSDB, que tem políticos acusados de receber propina em licitações do metrô e da CPTM, os adesivos foram colados "por pessoas com intenções eleitoreiras".

"O PSDB de São Paulo considera essa ação inescrupulosa, bem como a ação do ministro da Justiça José Eduardo Cardozo", diz a nota do diretório estadual do partido.

Em entrevista no fim de semana à Folha, o ministro refutou as acusações do partido.

"Qual é o papel do ministro da Justiça? É mandar apurar, com sigilo", disse então Cardozo, que encaminhou à Polícia Federal denúncias contra políticos tucanos, do DEM e do PMDB. No documento enviado à PF, Edson Aparecido, principal secretário do governador Geraldo Alckmin (PSDB), é acusado de receber propina do lobista Arthur Teixeira, indiciado por intermédio no pagamento de comissões em contratos do Metrô e da CPTM.

LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Em nota, o metrô diz que "é contra ações que causem danos ao patrimônio público, por isso já tomou as medidas necessárias para retirar os adesivos e evitar que voltem a ser colocados".

A entidade afirma que "não se trata de cercear a liberdade de expressão, mas zelar pela conservação dos trens".

A assessoria não sabe informar quantas placas foram coladas nos trens, nem quantas já foram retiradas. "Sempre colam mensagens com diferentes conteúdos nos trens, esse tipo de material sempre é retirado."

Ricardo Senra 
Folha de S. Paulo
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