terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Dirceu pode ser o verdadeiro dono do hotel Saint Peter, diz líder do DEM na Câmara


Imagem: Pedro Ladeira / Folhapress
A assessoria do ex-ministro José Dirceu divulgou uma nota neste domingo (22) dizendo que, apesar do pedido feito a partir do Brasil para a abertura de uma filial de sua empresa de consultoria no Panamá, ele não chegou a ser registrado naquele país.


Como revelou o jornal "O Estado de S. Paulo", uma filial da JD Assessoria e Consultoria foi aberta em 2008 no mesmo endereço da Truston International, que controlava o Hotel Saint Peter, em Brasília.

No mês passado o hotel ofereceu um emprego com salário de R$ 20 mil a Dirceu, que abriu mão da oferta após divulgação de que o empresário Paulo Abreu, dono do St. Peter, possuía apenas uma das 500 mil cotas societárias do estabelecimento. As outras 499 mil estavam em posse da Truston, que tinha um auxiliar de escritório como presidente da companhia –o que levantou a suspeita de se tratar de um laranja.

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Logo após o caso vir à tona, Abreu disse que comprou as ações da Truston, ficando com controle total do hotel.


"A JD Assessoria e Consultoria Ltda comunica que nunca atuou ou estruturou qualquer operação no Panamá. O pedido de abertura de filial, feito a partir do Brasil, sequer foi registrado naquele país, sendo revogado por decisão da própria empresa, que seguiu todos os trâmites previstos pela legislação brasileira", diz a nota.

INVESTIGAÇÃO

A oposição no Congresso quer investigar a situação da empresa de Dirceu no Panamá. O líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), disse que o caso leva a crer que Dirceu é o verdadeiro dono do Hotel Saint Peter. Por isso seria preciso se criar uma comissão de deputados para ir até o paraíso fiscal para obter informações sobre o caso.

"Ninguém sabe quantas empresas, nem onde, e nem quanto o Dirceu tem. Essa situação passa a ser característica de que ele deve ser o proprietário do hotel. E os órgãos que deveriam fiscalizar não fazem isso pois estão aparelhados", disse Caiado.

Ele ponderou, no entanto, que dificilmente será possível se criar uma comissão na Câmara para promover uma investigação sobre as empresas de Dirceu. "Ele está blindado pelo governo".

O líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), por sua vez, disse que a cada dia surgem fatos novos mostrando que haveria um "laranjal" em torno do mensalão, sendo necessária uma investigação sobre o caso.

"As novas informações divulgadas sobre este condenado do mensalão deixam latente que ele operou de todas as formas e que ainda pode estar operando para sustentar aquele que é o maior escândalo desta República. É preciso saber até onde se estendem estes tentáculos", disse.

A assessoria de Dirceu taxou de mentirosa e disse que não há qualquer fundamento na suspeita levantada por Caiado de que o ex-ministro seria o verdadeiro dono do hotel. 

Folha de S. Paulo
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