sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Lula fala em avanços da gestão Dilma, mas é chamado de traidor por grupos indígenas


Imagem: Alan Marques / Folhapress
Em um discurso improvisado para lideranças de movimentos sociais e de direitos humanos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (12) que o Brasil irá fazer "muito mais" sob o comando da presidente Dilma Rousseff. Ele ressaltou as ações voltadas para a área social do governo PT mas foi criticado e vaiado por lideranças indígenas e quilombolas que o chamaram de "traidor".

"Estejam certos de que vamos fazer muita coisa. Quem quiser torcer contra que torça. Eu conheço a Dilma apenas há dez anos. Ela foi a minha ministra. A mulher que passou pelo que a Dilma passou, que faz o que ela faz, com bom senso que ela tem, vocês podem ficar certos, que este país tem que ter motivo de orgulho pela presidente que nós elegemos", afirmou sob muitos aplausos.

Lula chegou a preparar um discurso para a ocasião --evento do Fórum Mundial de Direitos Humanos (FMDH), promovido pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República--, mas afirmou ter desistido de utilizá-lo para "não repetir o que já havia falado". Ele enfatizou as conquistas do seu governo e disse que nenhum outro país no mundo transferiu tanta renda nos últimos anos.

"Isso se chama direitos humanos. Dar ao pobre o direito de ser médico, engenheiro, diplomata. Eu sei o quanto uma parte da elite brasileira me odeia. É só ler os jornais para ver. Eles não toleram a mulher do pobre usando o mesmo perfume da patroa", disse.

Lula também parabenizou Dilma por ter lançado o programa Mais Médicos, que permite o trabalho de profissionais estrangeiros em locais sem atendimento médico, e disse que a presidente teve muita coragem para enfrentar os protestos de junho.

"Neste país, a elite brasileira achava que pobre não necessitava de tratamento. Pode morrer que tem demais. Mas nós vamos trazer médico de onde tiver. O que nós queremos é que o povo brasileiro seja tratado com respeito e dignidade", disse.

Durante o discurso, cerca de 20 índios que estavam no local chamaram o ex-presidente de traidor e afirmaram que ele enganou os povos indígenas e quilombolas. Diante dos gritos de ordem, o ex-presidente disse não ter medo de protestos. "Se tem uma coisa que não me assusta, é protesto. Porque eu nasci assim. Não teve ninguém na década de 80 e 90 que protestou mais do que eu, que enfrentou a polícia. E foi isso que me permitiu chegar à Presidência da República", disse. 

Mariana Haubert 
Folha de S. Paulo
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