segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

'O que a Dilma fez com a Petrobras foi uma verdadeira tragédia', diz economista e professor Delfim Netto


Delfim Netto. Imagem: Paulo Whitaker / Reuters
SÃO PAULO – O economista, professor e ex-ministro da Fazenda, Delfim Netto, afirmou, na final do XXI Prêmio CNH de Jornalismo Econômico, que as intervenções feitas pelo governo Dilma Rousseff são realizadas com tanto mau jeito que se tornam extremamente ineficientes. “O que ela fez com a Petrobras, por exemplo, é uma verdadeira tragédia”, disse.



Segundo ele, a prova de que o governo não tem nada de socialista, como dizem, é que ele simplesmente destruiu as suas duas principais empresas: a Petrobras (PETR4) e a Eletrobrás (ELET6). “A intervenção no setor elétrico (com a MP 579) e os desarranjos na Petrobras foram as principais coisas que fizeram o governo perder muita credibilidade”, explicou o ex-ministro.


Para Neto, o que também prejudicou muito a imagem da presidente, além destes fatores, foram os financiamentos questionáveis do BNDES e da Caixa Econômica Federal, a “contabilidade criativa” da área fiscal, os projetos de infraestrutura que não deslancham e a desconfiança mútua do governo com as empresas privadas. “O problema desse governo é que ele não pode ver nada funcionando que ele coloca um encosto. Depois dizem que o governo é socialista... É nada, esse governo é “Espiritista””, afirmou o economista.



Leilão de Libra
Em relação ao leilão de libra, realizado esse ano pelo governo, com vitória do único participante, que incluí a Petrobras, o ex-ministro disse que não foi um sucesso e nem um fracasso, mas sim teve o resultado que o governo queria. “Quando você põe a Petrobras na disputa, nenhum concorrente entra. Ou entra junto com ela, ou não entra, então não podíamos esperar nada diferente”, explicou.



"O Brasil não está ruim como dizem"
Apesar das críticas à presidente Dilma, o professor afirmou que o Brasil não está ruim como "gostam de dizer". Segundo ele, nosso PIB, chamado por muitos de PIBinho, está em linha com a média mundial. "Esse ano devemos crescer 2,5%, ou seja, estamos totalmente em linha com a média mundial. Essa queda de 0,5% do terceiro trimestre não irá nos prejudicar, visto que esperávamos uma estabilidade. Agora ao invés de crescer 2,7%, vamos crescer 2,5% em 2013, a diferença será pequena."



O ministro ainda disse que a igualdade social que vem sendo instaurada nos últimos 10 anos é muito importante para o desenvolvimento do país. "Nós estamos cada vez mais iguais, então as pessoas não podem só olhar as coisas ruins do governo, porque tem coisas boas também", afirmou. "É importante lembrar também que quem está dentro do governo tem uma visão muito diferente das coisas, quando comparado com quem está fora, afinal, em Brasília as coisas se tornam muito mais difíceis. É muito bom estar de fora de tudo isso agora para ter uma visão ampla. Eu me sinto mais lúcido, pois parece que quando entramos no governo perdemos todos os nossos neoronios", brincou.


A grande tempestade que está por vir
Ainda de acordo com Delfim Netto, a combinação de queda do rating do país para BBB- com o corte de estímulos monetários dos EUA, no ano que vem, pode gerar a tempestade perfeita. “Não acredito que teremos o rating rebaixado, mas se ocorrer, isso irá combinar com o início do fim do QE3 no ano que vem, o que forma algo extremamente preocupante. É a tempestade perfeita: paralisação do pregresso, inflação em alta, overshooting do câmbio e muito atraso em nosso desenvolvimento”, finalizou.

Arthur Ordones
Infomoney


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