quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

“Brasil não é um país civilizado”, diz Rachel Sheherazade à Revista Forbes


Rachel Sheherazade. Imagem: Divulgação/SBT
De acordo com estatísticas oficiais, entre 2007 e 2013, mais de 33.000 pessoas foram assassinadas no Brasil, mais ou menos 1.070 dessas mortes foram consequência de assaltos. Outras 5.412 pessoas morreram em conflitos com a polícia, apenas no Rio de Janeiro. No início deste mês, um grupo espancou e prendeu nu a um poste um garoto, acusado de ser bandido, no bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro. A imagem do adolescente atacado foi notícia em todo o mundo.

No Brasil, o caso ficou ainda mais conhecido depois de ser noticiado pela âncora Rachel Sheherazade, apresentadora do telejornal “SBT Brasil”. Durante o programa na última semana, a jornalista disse que as ações do grupo são “compreensíveis” e que aqueles que são a favor dos direitos humanos e se sentiram mal pelo garoto deveriam “fazer um favor ao Brasil e adotar o ladrão”. Bombardeada por críticas, ela também teve o apoio de muitos.

A apresentadora tem opiniões fortes sobre praticamente tudo: do Carnaval (“Uma festa para os ricos, para os bêbados e para o abuso das Forças Armadas”) a Justin Bieber (“Apenas um menino crescendo”).

Em uma entrevista exclusiva à FORBES, Rachel fala sobre a mais recente polêmica que protagonizou. Veja a seguir trechos da conversa:

FORBES: Do ponto de vista civil e dentro do que é esperado de um país civilizado, o que aconteceu com aquele adolescente atacado é errado. Por que você considera isso “compreensível”?

Rachel Sheherazade: Brasileiros são indefesos e abandonados; eles não têm meios para se defender. Em uma situação extrema como essa, onde não existe ordem ou presença do Estado, é compreensível que as pessoas tentaram se proteger. Unir-se contra o crime não é um crime, é autodefesa. O que eu não aprovo é a insanidade de justiça nas mãos de justiceiros. Além disso, o Brasil não é um país civilizado. Ninguém acredita mais nisso. Apenas leia as notícias e você vai ver o como o Brasil realmente é. Crianças queimadas em ônibus, prisioneiros sendo decapitados, turistas sendo estuprados... E o que a mídia mostra é apenas a ponta do iceberg. Em termos de civilização, nós alcançamos o fundo do poço.

F: Você está em uma posição onde tudo que você fala irá influenciar as pessoas, de um jeito ou de outro, e você disse recentemente que a democracia do Brasil é “um risco”. Você acha que existe uma falta de opinião no Brasil?

RS: Eu não acho. O que falta é mais espaço para contraponto. O problema é que qualquer um que diga alguma coisa diferente sobre o que a maioria das pessoas pensa, ou foi ensinada a pensar, acaba sofrendo todos os tipos de perseguição. Já existem ameaças para controlar a mídia com o propósito único de silenciar aqueles que promovem o livre discurso.

F: Suas observações sobre o adolescente foram polarizadas. Aparentemente, muitos parecem ter concordado com você, ao mesmo tempo que setores como a mídia condenaram o que você disse. Como explicar isso?

RS: Alguns membros da mídia brasileira ainda estão de acordo com as regras de esquerda. Existem muitos blogs e websites financiados com dinheiro público, eles são pagos para promover um “discurso oficial” e difamar qualquer que diga qualquer coisa contra o governo. É um jogo sujo, injusto e antidemocrático.

F: O escândalo do mensalão é largamente aceito por alguns membros do PT como algo “para um bem maior”. Qual é a diferença entre considerar esse crime “aceitável” e o crime cometido contra o adolescente como “não aceitável”?

RS: Entenda que existem muitas pessoas boas no PT, assim como em qualquer outro partido. Mas também há muitos esquerdistas no partido inclinados a justificar qualquer coisa, até mesmo um crime, para se manter no poder. Foi o que aconteceu no mensalão. Eles dizem que isso tudo é sobre perseguição política, o que de fato nunca existiu. Também é desrespeitoso com o sistema judicial brasileiro. Assim como no caso do menino, que terminou sendo um escape tolo para discursos duvidosos e para políticos oportunistas, que usaram o ocorrido para falsamente defender os direitos humanos. Eu gostaria que essas pessoas e o governo se sentissem da mesmo forma sobre as pessoas que agem para trazer segurança à sociedade e se tornam vítimas do banditismo que tomou conta do Brasil.

Forbes
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