sexta-feira, 14 de março de 2014

Embaixador da Ucrânia critica Dilma por se calar sobre violações da Rússia


Imagem: André Rodrigues/Gazeta do Povo
O embaixador da Ucrânia no Brasil, Rostylav Tronenko, escreveu uma carta de apelo e crítica na qual questiona o Brasil e suas autoridades em razão do silêncio e da omissão sobre a crise na Ucrânia. Leia abaixo e deixe sua opinião:

O Brasil e o mundo acompanham com apreensão o desenvolvimento da situação na Ucrânia. O país, após a luta pela liberdade e dignidade na Maidan (praça da Independência de Kiev), está sob ataque flagrante e não provocado. A península da Crimeia, que faz parte do território ucraniano, está sendo ocupada por tropas estrangeiras. Pessoal armado se desloca no território ucraniano, usando veículos militares com placas, uniformes e equipamentos bélicos estrangeiros.
Consideramos isso um ato de agressão e violação de todas as convenções internacionais. O governo legítimo da Crimeia foi brutalmente retirado do poder, e um homem com antecedentes criminais foi instalado como primeiro-ministro. Ciente de que o seu tempo é de curta duração, a junta criminosa chamou um referendo, a ser realizado em 16 de março.
A República Autônoma da Crimeia é parte integrante da Ucrânia, no território em que estão vigentes a Constituição e legislação da Ucrânia.
A proclamação do referendo sobre as alterações da pertinência estatal da Crimeia viola tanto a Constituição da Ucrânia como a Constituição da própria Crimeia. O direito para convocar um referendo sobre as mudanças territoriais pertence exclusivamente à Vekrhovna Rada (Parlamento  da Ucrânia).
Não há dúvida sobre os "resultados" a serem alcançados sob a arma do agressor, em violação às leis ucranianas e internacionais. Nesta situação extraordinária, queria sublinhar uma série de pontos importantes:
A Crimeia pertence à Ucrânia. Não vamos aceitar qualquer tipo de referendo disfarçado sob as armas de um agressor. Nunca desistiremos da Crimeia, bem como nunca aceitaremos este tipo de comportamento violento.
Pedimos que o Brasil e o mundo não cedam à pressão do agressor, que quebrou sua assinatura de acordos internacionais fundamentais. Se isso pode ser feito com a Ucrânia, qualquer coisa pode ser feita para qualquer outro país. Se for permitido que isso aconteça, então não existem regras e não há leis.
Apelamos à Rússia: por favor, não destrua as fronteiras que ligam nossos povos! Não criem outro foco de tensão em seus arredores! A Ucrânia não é inimiga da Rússia. Não queremos guerra!
Estou convicto de que ainda há uma chance de parar com isso. A Ucrânia está pronta para dialogar e envolver negociadores internacionais. Mas há algo para qual a Ucrânia nunca estará pronta: ceder à agressão. Nunca iremos ceder e comprometer a nossa soberania. Apelamos ao mundo e ao Brasil que nos apoie em suas palavras e ações.
O governo da Ucrânia apelou ao governo federal e ao Brasil, como parceiro estratégico e membro da ONU, para juntar-se à comunidade internacional para apoiar a independência, soberania e integridade territorial de nosso país no contexto das ações agressivas da Federação Russa contra a Ucrânia.
Temos esperança de que o Brasil apoiará as aspirações do povo ucraniano para buscar a solução pacífica do conflito, preservando a soberania e integridade territorial da Ucrânia, bem como a necessidade de esforço comum para evitar uma nova escala de conflito, que ameaça a paz e segurança na Europa, e pode gerar crise sociopolítica e econômica na região.
Isso foi apoiado pela comunidade ucraniana que, em nome de meio milhão de brasileiros descendentes de ucranianos, apelou à  presidente Dilma Rousseff que se pronuncie contra a intervenção da Rússia na Ucrânia, e realize todos os esforços diplomáticos para evitá-la. A comunidade ucraniana também sublinhou que as políticas de não ingerência externa nas decisões soberanas dos países, de solução pacífica dos conflitos e da não intervenção devem prevalecer.
Por favor, não fiquem em silêncio. "Não pergunte por quem os sinos dobram. Eles dobram por você" (Ernest Hemingway).
Pois não se trata apenas da Ucrânia, mas trata-se também das regras que o mundo cumpre. As decisões tomadas hoje irão formar o mundo em que viveremos amanhã.
Redação
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