segunda-feira, 10 de março de 2014

Mesmo proibida, campanha eleitoral já ocorre na internet


Imagem: Reprodução / Facebook
Apesar de ser permitida somente a partir de 6 de julho, a campanha eleitoral já corre livremente na internet e inunda as redes sociais com comunidades pró e contra os três principais pré-candidatos ao Palácio do Planalto.

Além de sites específicos, Facebook e Twitter abrigam dezenas de páginas, comunidades e perfis extraoficiais dedicados às candidaturas da presidente Dilma Rousseff (PT), do senador Aécio Neves (PSDB) e do governador Eduardo Campos (PSB).

Autor de decisão que determinou a retirada do ar de uma página que fazia campanha para Campos, o ministro do Tribunal Superior Eleitoral Admar Gonzaga reconhece que essa é uma situação "difícil de controlar" e que exigirá uma nova postura da Justiça Eleitoral.

No dia 28 passado, Gonzaga atendeu a um pedido do Ministério Público e mandou o Facebook excluir a página "Eduardo Campos Presidente", que contava até então com pouco mais de 2.000 seguidores.

O problema é que no mesmo Facebook há pelo menos outras 20 páginas que promovem a candidatura do governador de Pernambuco. E também há páginas contrárias, como a "Eduardo Campos presidente não", com mais de 3.000 seguidores até sexta.

Imagem: Editoria de Arte/Folhapress
O mesmo ocorre em relação a Dilma e Aécio, protagonistas de dezenas de páginas favoráveis e contrárias. Uma das páginas anti-Dilma, a "Dilma Rousseff não!", já reuniu mais de 60 mil seguidores. Aécio é alvo de pelo menos cinco páginas denominadas "Aécio 'never'", com cerca de 2.000 seguidores.

"Realmente pode ficar uma coisa difícil de controlar, e talvez devamos discutir no TSE outra medida, que não imagino agora qual seja. O Ministério Público pode apresentar 20, 30, 50 ações em que posso não gastar mais do que algumas horas para decidir, mas acabaria virando 'linha de montagem' de decisões judiciais", disse Gonzaga.

Questionado sobre a razão de ter pedido a retirada apenas da página "Eduardo Campos Presidente", o vice-procurador-geral Eleitoral, Eugênio Aragão, afirmou por meio da assessoria de imprensa que foi movido por representação de um eleitor e que já analisa ações contra outras páginas.

O tema deve gerar controvérsia no TSE. O ministro do Supremo Tribunal Federal José Antonio Dias Toffoli, que assumirá a presidência do TSE em maio, já manifestou posição favorável à ampliação do período eleitoral, hoje restrito aos três meses que antecedem a disputa, e à liberdade da campanha nas redes sociais.

A atual legislação prevê a retirada da propaganda irregular, e multa ao candidato. Assessores de PT, PSB e PSDB negaram que os postulantes à Presidência tenham relação com a proliferação da campanha na internet.

"O PT tem muito cuidado para evitar propaganda antecipada", diz o secretário nacional de Comunicação do partido, José Américo, apesar de afirmar que o partido dedicará especial atenção à campanha na rede. "Tem gente que fala que de de 10% a 20% dos eleitores vão se decidir com base na disputa na internet, nas redes sociais", disse.

A assessoria de comunicação do PSB afirmou que procura convencer os administradores dos sites não oficiais a retirar as páginas do ar. Até o momento, dizem ter conseguido entrar em contato com um, mas ele teria recusado o pedido. A assessoria do PSDB também negou relação com as páginas extraoficiais.
 
Ranier Bragon 
Folha de S. Paulo
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