quarta-feira, 30 de abril de 2014

Moradores da Zona Leste de SP unem-se a manifestantes no sexto protesto contra a Copa


Imagem: Cris Fraga / Fox Press
Pela primeira vez realizado na zona leste de São Paulo, o protesto contra a Copa do Mundo reuniu nesta terça-feira, 29, cerca de 800 manifestantes, de acordo com a Polícia Militar. O sexto ato na capital começou às 20h15, na Rua Tuiuti, perto da Estação Tatuapé do Metrô, e terminou às 23h20, na frente da Catedral da Sé, na região central.

O grupo seguiu pacificamente pela pista central da Radial Leste até a Sé. Embora a PM não tenha divulgado o efetivo, o número de agentes era visivelmente maior do que o de manifestantes. A tática da PM de cercar o protesto foi mantida.


No início do ato, a Tropa de Choque bloqueou o acesso à Radial no sentido Itaquerão, onde será realizado o jogo de abertura do Mundial no dia 12 de junho, o que obrigou o protesto a seguir outro rumo. Nesse momento, três adolescentes foram apreendidos por portar estilingues, facas e pedras em mochilas. Black blocs queimaram álbuns de figurinhas da Copa como forma de protesto.

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Ao longo da passeata, houve alguns momentos de tensão entre a polícia e manifestantes por causa da definição do trajeto. Até as 21h, a intenção era fechar a Radial, mas o grupo foi impedido pela PM. "Deixa passar a revolta popular", retrucavam os ativistas.

A passeata desta terça não teve um tema específico, como saúde, educação ou transporte. Diferentemente de outros atos cujo público era formado predominantemente por jovens, moradores da região se juntaram ao grupo. "Não viemos por sermos contra a Copa, mas contra o sistema, contra toda essa roubalheira. Muitas pessoas estão morrendo, o governo dá dinheiro para outros países e nós também somos dependentes do SUS", disse a dona de casa Márcia Zanferari Sauer, de 49 anos.

Seu marido, o orçamentista Álvaro Luiz Sauer, de 51 anos, criticou a falta de preparo do Brasil para receber o evento. "Nós vemos os discursos do Pelé, do Ronaldo e sabemos que eles têm muito mais dinheiro do que a gente e o que eles dizem fica só no discurso. Vamos passar vergonha", disse. A filha de 14 anos acompanhou o casal.

O padre Julio Lancellotti, que participou de todas as manifestações, disse que estava lá porque "as reivindicações são justas e não são respondidas pelas autoridades". "Daqui para frente, essas manifestações só vão se multiplicar", afirmou.

Mônica Reolom
O Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política
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