segunda-feira, 26 de maio de 2014

Brasil vive 'ditadura' no setor elétrico, afirma Campos


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
O pré-candidato à Presidência da República Eduardo Campos (PSB) afirmou nesta segunda-feira, 26, em seu discurso de abertura no evento com empresários promovido pelo Grupo Estado e pela Corpora, que o Brasil vive uma "ditadura" no setor elétrico, com decisões concentradas na presidente Dilma Rousseff e em mais "dois assessores". Segundo o ex-governador de Pernambuco, fica claro também, pelo controle de preços dos combustíveis, que o governo está "fazendo política monetária com as estatais".


"Precisamos recuperar a capacidade de planejamento do setor energético", disse. "Há uma ditadura no setor elétrico com a decisão concentrada na presidente (Dilma) e mais dois assessores. Ninguém mais é ouvido."

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Campos fez um discurso bastante duro com relação às decisões recentes tomadas no setor energético, cujo comando, fez questão de ressaltar o pré-candidato, "vinha sendo realizado sob a batuta da atual presidente da República". Segundo ele, "nem mesmo se o País tivesse reunido talentos para dizer 'vamos complicar a economia', não encontraria gente com tanto talento para isso".

"Encontramos no setor de energia os maiores desafios e um quadro que se degradou de forma inesperada. Perdemos a governança e a capacidade de planejar", afirmou. "O mercado expôs sua posição nesse setor quando colocou o preço da energia acima de R$ 800, colocou opinião de esgotamento e de crise efetiva."

Segundo Campos, o custo desses problemas está na casa dos R$ 100 bilhões. "A população está sendo endividada sem saber disso", afirmou, em referência aos empréstimos às distribuidoras e que só seriam pagos "depois da eleição".

Com relação à Petrobrás, Campos disse que o controle de preços dos combustíveis mostra que o governo faz "política macroeconômica com estatais", e causa sérios danos ao setor sucroalcooleiro. "É preciso devolver governança à Petrobras, blindá-la da politicagem e com regra das receitas que não submeta à petroleira (ao controle)."

Agronegócio. O ex-governador ressaltou ao público, formado por empresários de diversos setores econômicos, a importância do agronegócio nacional e citou como principais desafios para impulsionar o segmento ter segurança jurídica e acabar com o preconceito da cidade para com o campo. “O Brasil é um País muito diverso e o agronegócio também. Eu posso falar, porque vim do campo, passei meus primeiros anos no campo e sei do preconceito das cidades. O campo se fez porque inovou, apostou em tecnologia. Há falhas, mas estas não podem macular o esforço de muitos, inclusive na relevância que o setor tem na balança comercial”, declarou.

O presidenciável destacou que o setor precisa mostrar que muitas empresas no Brasil estão comprometidas com o conceito de sustentabilidade. “Quem vier e disser que o agro não está fazendo negócio com sustentabilidade está mentindo. E esse valor veio para ficar. Há muito preconceito para o agronegócio e é ruim”, ressaltou.

Segundo o pré-candidato, tanto a experiência dele no campo quanto a parceria com a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva vão ajudar na melhoria do diálogo com o agronegócio. “Há uma vice-presidente que guarda esses valores de sustentabildade, de meio ambiente, de valores dos produtos do campo no mundo. O setor não é uma ameaça, é uma grande oportunidade”, disse. Ele argumentou que havia muitas preocupações do setor com relação à primeira eleição de Lula e acabou ocorrendo uma “surpresa agradável”.

Ele ainda citou que o agronegócio está “indo bem”, mesmo com os gargalos em logística. “Não temos nenhuma hidrovia para escoar produção, nem armazenamento, nem seguro e nem fizemos lição de casa para diluir custos de produção, defensivos”, declarou. “O governo atual não entregou as obras de pedra e cal. Hoje temos menos ferrovias que em 1930. O Brasil tem um papel estratégico na produção de alimentos no mundo.”

Suzana Inhesta, Ana Fernandes, Fernando Travaglini, Wladimir D'Andrade e Isadora Peron 
O Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política
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