sábado, 3 de maio de 2014

Candidatura de Bolsonaro à presidência da República provoca racha na oposição a Dilma e ao PT


Imagem: Montagem/Folha Política
Após anúncio da intenção, por parte do deputado Jair Messias Bolsonaro, de concorrer à presidência da República, evidenciaram-se, de maneira mais clara, distinções ideológicas nos integrantes das movimentações que pretendem, como foco, retirar o Partido dos Trabalhadores (PT) do poder.

A despeito de unidos na crítica ao governo atual, bem como sinérgicos e colaboradores em sua depreciação, expoentes da oposição entraram em conflito quanto ao valor e à viabilidade da candidatura de Bolsonaro à presidência da República. O ex-militar foi, no geral, apoiado por seus quase 400 mil seguidores no Facebook, além de entidades com viés anti-petista.

Constantino: "Muita calma nessa hora"

Para Rodrigo Constantino, articulista da revista Veja e presidente do Instituto Liberal, o valor do parlamentar restringe-se à sua atuação no Legislativo: "Bolsonaro tem seu papel, que é justamente o de combater com estridência a maré vermelha, os comunistas e socialistas que vestiram novas embalagens, mas continuam com o mesmo objetivo. O fato de ele não aparentar ter pretensões majoritárias até o momento fez com que ele pudesse radicalizar nesse nicho, atuando quase isolado (daí minha analogia com o exército de um homem só). Mas presidência é outra história. Exige acordo com a base aliada, tolerância, algum jogo de cintura, saber contemporizar, respeitar opiniões divergentes, ou seja, tudo aquilo que o PT não sabe fazer. Bolsonaro saberia? Pouco provável. Seu tom não é o de um conciliador ou agregador, mas o de resistência, de alguém que existe politicamente para ser um obstáculo a um mal maior, não para liderar o país na direção correta.", declarou, em recente artigo intitulado "Bolsonaro presidente? Muita calma nessa hora!".

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Ademais, o economista criticou o que classifica como "viés autoritário" e próximo do Fascismo, o qual, segundo ele, estaria presente em Bolsonaro: "(...)O principal deles está na pesquisa que Leandro Narloch fez para seu mais novo Guia Politicamente Incorreto, perguntando aos deputados se acreditavam em uma lista de declarações sem citar a origem. Divulguei justamente esse capítulo do livro em primeira mão aqui no blog. Bem, a origem era Mussolini, e Bolsonaro foi o segundo deputado que mais concordou com o fascista". Em segundo artigo, Constantino condenou, também, ações de Bolsonaro que classifica como "homofóbicas".

Ao afirmar a emergência de um "radicalismo de direita", chegou a comparar tais movimentos ao Fascismo e à ascensão de Mussolini: "Se sua candidatura for apenas pragmática, para garantir um segundo turno e prejudicar a Dilma, tudo bem; entendo e até aplaudo. Agora, o risco que vejo é outro: cada vez mais gente abraça um radicalismo de direita que parece um petismo de sinal trocado. Gente que desconfia das urnas, da democracia, chama o PSDB de comunista e igual ao PT (absurdo, é esquerda, mas social-democrata e bem mais civilizada), e clama por intervenção militar, por um homem forte capaz de “colocar ordem nessa bagunça toda”. Isso é o tipo de demanda que levou a Mussolini na Itália! Essa postura, além de contraproducente ao liberalismo e à democracia no longo prazo, tem um efeito concreto e negativo de curto prazo, que fere justamente o pragmatismo necessário para a luta mais importante do momento, que é tirar o PT do poder: o voto nulo. Vi muita gente repetindo que ou é Bolsonaro, ou nada, pois todos os demais são igualmente podres e comunistas."

Após o primeiro artigo, Constantino chegou a desativar a seção de comentários, alegando estar sendo perseguido, de forma organizada, por seguidores "fanáticos" do ex-militar.

"Rodrigo Constantino acaba de retirar de seu blog "área de comentários", alegando que meus seguidores, "sob meu comando" invadiram seu site com mensagens de apoio, quase sempre sem argumentos... Digo a todos que não tenho a "meu comando" fiéis seguidores, como Reinaldo Azevedo há poucos dias denunciou o acampamento de "guerrilheiros virtuais" de petistas, ora treinando para atacar a oposição. Lamentavelmente, Rodrigo Constantino, com sua decisão e infundada acusação, demonstra quem é o radical e não aceita a liberdade de expressão como força máxima da democracia. Levo pancada de todo mundo, mas Constantino não aceita ser contrariado.", respondeu Bolsonaro em publicação na rede social Facebook.

Setti: "uma piada"

Ricardo Setti, jornalista e articulista da mesma revista, condenou a candidatura de Bolsonaro, avaliando-a como, de certa maneira, "ridícula": "a candidatura de Bolsonaro é uma piada porque ele não tem equilíbrio, nem postura nem preparo para ser presidente (e não me venham com o argumento de que, se Lula foi presidente, vale tudo, de que, se Collor foi presidente, tudo pode, de que, se Dilma, de quem se dizia “preparadíssima”, chegou lá, tudo vale — não, não vale, porque quero o MELHOR para meu país. Nada de nivelar a exigência por baixo! Já sabemos o resultado disso). As ideias e atitudes do deputado estão longe daquilo que os brasileiros MERECEM ter no próximo ocupante do Palácio do Planalto".

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Doravante, complementou: "Em seus 24 anos como deputado federal — consultem seu perfil oficial na Câmara dos Deputados e seu site na internet –, embora tenha apresentado montanhas de projetos e participado de incontáveis comissões, Bolsonaro não demonstrou qualquer preparo apreciável em gestão pública, em economia, em relações internacionais e em uma série de outros requisitos mínimos necessários a quem aspira ser presidente da República. Seus cursos de saltos como pára-quedista, de mergulho treinado pelo Corpo de Bombeiros e sua passagem pela Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais do Exército (EsAO) certamente são úteis e interessantes, mas muito pouco para quem quer dirigir uma das 10 maiores economias do planeta."

Lauro Jardim: "mais uma graça"

O colunista Lauro Jardim abordou, também, a candidatura de Bolsonaro de forma jocosa: "Jair Bolsonaro decidiu fazer mais uma graça. Na semana passada, anunciou oficialmente à cúpula do PP que está disponível para se candidatar a presidente da República. Agora quer mais: Bolsonaro pretende fazer barulho pedindo para o Ibope e o Datafolha testarem seu nome em pesquisas."

Qual é a sua opinião a respeito desta candidatura, do contexto pré-eleitoral  e deste debate?

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Marcos Camponi
Folha Política
Editado por Folha Política
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