domingo, 25 de maio de 2014

Dengue lota hospitais e atrasa cirurgias em São Paulo


Imagem: Anderson Prado / Folhapress
O surto de dengue fora de época em São Paulo sobrecarrega hospitais e unidades de saúde por todo o Estado e afeta o atendimento de outras doenças. Nos quatro primeiros meses deste ano foram 54.423 pessoas com o vírus.

No litoral norte, o tempo de espera para pacientes menos graves nos prontos-socorros praticamente duplicou. Há relatos de adiamento de cirurgias por falta de leito vago.


No único hospital de São Sebastião, a reportagem presenciou uma enfermeira dispensar uma paciente que tinha uma operação no braço agendada, porque não havia leitos. Ela foi orientada a remarcar o procedimento.

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A prefeitura não confirma a desmarcação de cirurgias, mas admite que o aumento de pacientes com suspeita de dengue interfere no atendimento de ocorrências eletivas – que não são urgentes.

Em Ilhabela, que ocupava o 12º lugar no ranking paulista da dengue no fim de abril, os casos saltaram de 565 para 2.021 em 15 de maio. A prefeitura criou um setor especial no hospital da cidade para atender os infectados.

Em Caraguatatuba, uma idosa de 88 anos precisou ficar em observação no sofá do único hospital do município. "Minha mãe ficou o dia todo numa espécie de sofá", diz Ana Maria Martins.

A diretora da divisão de assistência à saúde de Caraguá, Denise Passarelli, admite que a epidemia sobrecarrega a rede pública, mas não a ponto de adiar procedimentos.

No litoral sul, que teve uma explosão de casos em 2013, a situação está sob controle. De janeiro a abril, oito cidades registraram juntas 282 casos.

Os municípios responsabilizam moradores e veranistas pela epidemia, porque, segundo dizem, não ajudam a eliminar os criadouros do mosquito transmissor.

CAMPINAS

Em Campinas, a cidade com mais infectados no Estado de São Paulo, a situação é crítica há dois meses.

Superlotados, os hospitais públicos têm fila de até 12 horas para casos menos graves. As suspeitas de dengue são prioridade e representam até 40% dos atendimentos.

No município, o vendedor Thiago Franco, 26, procurou o hospital Celso Pierro, no dia 14, com forte dor abdominal.

Chegou às 21h e só foi atendido às 7h do dia seguinte. Com suspeita de pedra na vesícula, ainda esperava ao meio-dia para fazer exame. "Ele estava com muita dor", disse o primo de Thiago, Raniele Araújo da Silva, 18, que o acompanhava.

Apesar de a prefeitura afirmar que as ocorrências diminuiriam em maio, os casos não param de crescer. Já são mais de 30 mil doentes, segundo o último balanço da Secretaria Municipal de Saúde.

Até abril, eram 18,5 mil, segundo a Secretaria Estadual de Saúde –  um terço de todos os casos registrados em SP.

Em Campinas, três mortes foram confirmadas, segundo a prefeitura. Outros três óbitos estão sendo investigados. "Temos uma situação mais confortável em maio. Há uma redução significativa na cidade inteira", afirma o secretário de Saúde de Campinas, Cármino de Souza.

Ricardo Hiar e Lucas Sampaio
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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