quinta-feira, 8 de maio de 2014

Editorial do 'Financial Times' ridiculariza Dilma


Imagem: André Coelho
Comparando a eficiência da presidente Dilma Rousseff à dos comediantes Irmãos Marx, o editorial deste domingo do jornal britânico “Financial Times” afirma que o Brasil não desperta mais o interesse do investidor e que é preciso haver um choque de credibilidade. E, caso a presidente não faça isso, a eleição o fará. Os três desafios imediatos do governo, segundo o “FT”, são o escândalo da refinaria de Pasadena da Petrobras, os problemas no setor energético e o alto custo da Copa do Mundo.

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“Pobre Dilma Rousseff. A presidente do Brasil projeta a aura tediosa de eficiência da (chanceler alemã) Angela Merkel, mas com a performance dos Irmãos Marx. Os atrasos nos preparativos para a Copa do Mundo já embaraçaram o país, enquanto a preparação para as Olimpíadas de 2016 é ‘a pior’ que o comitê internacional já viu. A economia também está numa depressão. O Brasil, que já foi o queridinho do mercado, tem perdido o interesse do investidor. O país precisa de um choque de credibilidade. Se Dilma não o fizer, a eleição presidencial de outubro fará.”

Em relação ao caso Pasadena, o jornal britânico afirma que o “escândalo de corrupção” na estatal “prejudica sua suposta reputação de administradora experiente, com competência para gerir o país”, já que Dilma era presidente do conselho da Petrobras na época.

Quanto ao “risco crescente de escassez de energia”, o “FT” ressalta que a a seca prolongada drenou muitos reservatórios, ao mesmo tempo em que os subsídios governamentais à eletricidade aumentaram o consumo. Alertando que os apagões são um risco real, o jornal lembra que, como Dilma é ex-ministra de Energia, “isso arranha ainda mais sua imagem de tecnocrata”.


Diferentemente do que ocorre com os dois pontos anteriores, o diário afirma que os problemas envolvendo a Copa do Mundo repercutiram entre os eleitores e que, desde o ano passado, quando as manifestações se disseminaram pelo país, as pessoas pedem, por exemplo, “hospitais no padrão Fifa”. Por isso, diz que há uma grande chance de haver novos protestos: “Talvez não o suficiente para estragar o que certamente será um evento esplêndido, mas que serão vistos no mundo todo por milhões de pessoas que acompanharão o futebol na televisão”.

Segundo o editorial, o descontentamento popular pode aumentar se a seleção brasileira não for bem na Copa: “Os brasileiros podem perdoar os custos da Copa se eles ganharem, mas não se falharem em exibir um desempenho respeitável — chegar pelo menos até as semifinais, por exemplo. Senão, o custo e os contratempos terão ocorrido por nada”.

Além disso, o jornal afirma que investidores e brasileiros estão cada vez mais incomodados com esse cenário. E destaca que, embora Dilma continue sendo a favorita, há pressões dentro do próprio PT para que Lula seja candidato no lugar dela.

O jornal, no entanto, diz que Dilma é mais conhecida por falar do que por ouvir. Apesar disso, ela estaria dando atenção às críticas. Num segundo mandato, “poderia dar autonomia formal ao Banco Central” ou “recrutar o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, para substituir Guido Mantega, seu desafortunado ministro da Fazenda”. “Os dois movimentos seriam bem-vindos”, afirma o FT.

O jornal indaga se Dilma é de fato a pessoa certa para colocar o Brasil de volta nos trilhos, afirmando que seu primeiro mandato foi um decepcionante. Mas diz que “há sinais de que os mecanismos políticos do país estão trabalhando como deveriam, transmitindo preocupações generalizadas e crescentes, começando a empurrar o debate para uma direção amigável ao mercado. “Isso só pode ser uma coisa boa”, afirma o jornal.


O Globo
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