domingo, 4 de maio de 2014

Jornalista chama Silvio Santos de covarde e omisso por proibir comentários de Sheherazade


Imagem: Montagem/Folha Política
O jornalista e colunista Ricardo Setti redigiu um texto no qual faz veementes críticas ao empresário brasileiro Silvio Santos em virtude do recente episódio envolvendo a proibição de comentários aos jornalistas do SBT, em especial Rachel Sheherazade.

De acordo com Setti, o empresário cedeu a pressões de forma pusilânime, apresentando uma postura omissa e covarde neste caso. Leia abaixo e manifeste sua opinião a respeito:
CASO RACHEL SHEHERAZADE: Silvio Santos, uma vez mais, cedeu a pressões, acovardou-se e foi omisso
O comunicado no qual o SBT anunciou que ejetava a âncora Rachel Sheherazade de sua cadeira de comentarista da emissora foi formal e, ao mesmo tempo, cínico.
Quem não se lembrar, vale dar uma lida, é curtinho:
“Em razão do atual cenário criado recentemente em torno de nossa apresentadora Rachel Sheherazade, o SBT decidiu que os comentários em seus telejornais serão feitos unicamente pelo Jornalismo da emissora em forma de Editorial. Essa medida tem como objetivo preservar nossos apresentadores Rachel Sheherazade e Joseval Peixoto, que continuam no comando do SBT Brasil”.
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Ah, bom! Então o objetivo é “preservar” a jornalista, que, devido a ameaças, já andava de carro blindado e tomara outras providências do tipo.
Quer dizer que, diante de ameaças, a resposta do SBT foi… fazer justamente o que os autores das ameaças queriam?
Calar a moça? Tapar-lhe a boca?
Quero deixar claro aqui que NÃO compartilho das opiniões de Rachel Shererazade em 90% dos casos, ou mais. Em certos casos, considerei abjetos seus comentários.
Mas ela nunca se afastou da linha que deve guiar os democratas — os limites da lei.
Quem se sentiu ofendido, tinha — como tem — o direito de entrar na Justiça.
Não gostaram nem um pouco de vários comentários o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ), e por causa disso a Procuradoria Geral da República está estudando representação enviada contra a comentarista, para ver que providências, eventualmente, tomar junto à Justiça.
O caso de Sheherazade foi muitíssimo comentado, e não vou repetir o que outros colegas já escreveram ou disseram em favor da liberdade de expressão e de o direito de a jornalista expressar suas opiniões.
O que quero comentar é a fraqueza, a omissão e a submissão de Silvio Santos, o dono do SBT — que se omitiu e se acovardou de forma espantosa. Nem comentou o caso. Foi como se não tivesse acontecido nada.
Bastou uma pressão maior, vinda de onde vier, e Silvio vai correndo entregar os pontos. 
Sem esquecer, é claro, a mãozinha oficial para livrar Silvio de seu banco Panamericano, com rombo de bilhões, que foi passado adiante. Silvio cumpriu corretamente suas obrigações financeiras na ocasião, mas, sem o governo, as coisas seriam catastróficas.
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Mas, para quem, como Silvio, sempre se curvou docilmente ao poder, um estalar de dedos já basta. Aos que eram muito jovens ou não se lembram, é bom recordar que o empresário e apresentador foi um adulador da ditadura, e era quem conduzia, pessoalmente, um rastejante programa puxando o saco do governo militar chamado A Semana do Presidente.
Intervalos de plena autonomia no telejornalismo da emissora, como nos tempos de Boris Casoy, foram uma exceção para Silvio Santos — nunca a regra.
No caso de Sheherazade, a coisa se repetiu. Em troca do silêncio, ela vai ganhar um programa só dela. No qual, certamente, poderá opinar dentro de limites bem definidos.
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Lígia Ferreira
Folha Política
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