domingo, 18 de maio de 2014

Pelé compõe música em que pede para a torcida 'não vaiar' a seleção; ouça trecho


Imagem: Luciana Aith
Pelé compôs uma música para a Copa, cujo título não revela. Pensou em lançá-la na Olimpíada, mas já gravou a parte vocal e deve apresentá-la nos próximos dias. Uma das ideias é fazer o clipe junto com crianças em uma favela.

A letra diz: 
Já nos deu tanta alegria
já chorei de emoção
futebol está na veia da nossa nação
Pelé critica as canções para o evento que saíram até agora. "Falta uma brasileira mesmo", diz. "Ouvi a do Ricky Martin, mas não gostei." A música-tema do Mundial é interpretada pelos americanos Pitbull e Jennifer Lopez e por Claudia Leitte. Artistas como Paulo Miklos, Seu Jorge e Gaby Amarantos gravaram faixas para Itaú, Coca-Cola e outras marcas. 

OUÇA PELÉ CANTANDO TRECHO DA MÚSICA QUE FEZ PARA A COPA: Ouça

Além do pé atrás com os ritmos importados e letras em inglês, Pelé é contra o fato de ressaltarem só momentos de alegria. "Não lembram das dificuldades." Para ele, as músicas têm que incentivar a torcida a apoiar a seleção mesmo se no início ela não estiver bem. "A minha letra pede para não vaiar [o time]." 

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Ele então teme por tropeços do grupo de Luiz Felipe Scolari? "Não, não. É que o torcedor é muito exigente, né [risos]?" Afirma confiar em Neymar e companhia. "A defesa está forte. Falta agora acertar o ataque." Se tivesse "poder divino", formaria a final Brasil x Uruguai - para uma revanche da decisão de 1950, quando os uruguaios calaram o Maracanã. 

Fora dos gramados, vê como "uma coisa natural da democracia" manifestações semelhantes à que cruzou seu caminho naquela manhã. "Há mais visibilidade agora. Os grupos têm que reivindicar. O que não é aceitável são badernas, quebra-quebra. Mas reivindicação tem que ter mesmo, cobrar dos políticos." 

Só espera que protestos não atrapalhem os jogos. "A gente tem que pedir para que entendam que o futebol é que fez o Brasil no mundo. Então vamos apoiar, né? Fazer o máximo para dar certo." Diz ser injusto "descontar" nos atletas a insatisfação com o país. "A corrupção na política, os acréscimos do custo dos estádios, o jogador não tem nada com isso. Não tem culpa." 

E segue o raciocínio: "Esse escândalo que teve agora na, na... com, com a... com o petróleo brasileiro..." Da Petrobras, completa o repórter. "Da Petrobras. É um escândalo que não tem nada a ver com futebol, mas prejudica muito o povo, né? É um dinheiro que é nosso, né?" 

Garante só abrir a boca para responder à imprensa se conhecer o assunto. "Quando eu não sei, não falo." Calado, na definição dada por Romário em 2005, Pelé "é um poeta". Ele rebate a alfinetada com firmeza: "Todo mundo me conhece no Brasil, desde os meus 17 anos. Sempre respeitei, fui honesto com todo mundo e amo o meu país. O que faço, o que procuro dar de mensagem, é o melhor para o país. Sempre vou ser assim, não vou mudar". 

Com informações de Mônica Bergamo
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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