terça-feira, 10 de junho de 2014

Exército investe R$ 70 milhões em armamento menos letal para a Copa


Imagem: Marcello Casal Jr / ABr
O Exército brasileiro investiu R$ 70 milhões na aquisição de armamento menos letal para contenção de distúrbios civis durante a Copa do Mundo, que começa nesta quinta-feira (12). As forças Armadas têm orçamento de R$ 700 milhões para o evento.

A ideia é que homens da Polícia do Exército utilizem esses equipamentos, que são balas de borracha, bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo e cassetes e escudos antimotim. Esses homens formarão a chamada Força de Contingência, que será a única dentro do exército autorizada a atuar no âmbito da segurança pública das 12 cidades-sedes —na proteção de equipamentos considerados estratégicos para a realização do evento, como estádios, torres de transmissão e subestações de energia— e não na defesa nacional.


De acordo com chefe do Estado Maior das Forças Armadas brasileiras, general José Carlos de Nardi, o emprego das Forças Armadas na segurança pública local só poderá, contudo, ser feita caso os governadores dos Estados façam pedido ao governo federal. A liberação dependerá do aval da presidente Dilma Rousseff.

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Serão em média 3.000 soldados com essa função em cada uma das 12 cidades-sedes. Esse número pode variar de cidade para cidade. No Rio, por exemplo, a quantidade de militares deve ser maior, disse ele, mas não especificou quantos.

O nome desse regime extraordinário, utilizado, por exemplo, durante a greve da PM da Bahia e também na ocupação da favela da Maré, no Rio, chama-se GLO (Garantia da Lei e da Ordem). Nesses casos, o exército assume o comando das operações, ficando a polícia local subordinada às tropas federais.

Para garantir o pronto emprego da força de contingência caso seja necessário, os homens do Exército estarão de prontidão em locais próximos aos estádios e a áreas centrais das cidades-sedes. Segundo o general, esses homens não estarão visíveis pelo público.

"A Força de Contingência só atuará com pedido dos governadores e estará pronta para auxiliar as polícias militares, mas quem tem que cuidar de questões de segurança pública são as polícias locais. Não há dúvida de que eles utilizarão munição não letal [caso a força seja empregada em distúrbios civis]", disse o general, na manhã desta terça-feira (10), em coletiva realizada no Centro Aberto de Mídia, na zona sul do Rio.

Cada cidade terá uma comissão regional para decidir a necessidade ou não de se solicitar a presença dos militares. Essas comissões são formadas pela secretaria estadual se Segurança local, um general responsável pela cidade e por um superintendente da Polícia Federal.

Além disso, as Forças Armadas serão utilizadas na segurança de 140 equipamentos que são considerados estratégicos para a realização dos jogos, como torres de transmissão e subestações de energia. Homens do exército também estão sendo empregados na segurança das seleções. O esquema de segurança é feito a partir de avaliações da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) com base em pedidos das próprias delegações.

Lucas Vettorazzo
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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