sábado, 26 de julho de 2014

Agenda de ex-diretor da Petrobras aponta uso de offshores para lavagem de dinheiro


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
A Polícia Federal suspeita que o engenheiro Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, e o doleiro Alberto Youssef – alvos da operação Lava Jato – empenharam-se na montagem de complexo esquema de criação de offshores para blindagem de patrimônio e ocultação de valores ilícitos doados a políticos e partidos.

A maior parte do dinheiro, para os investigadores, teria origem em supostos desvios de contratos da estatal com empreiteiras e fornecedoras. Essas offshores (empresas de fachada) teriam sido usadas para a remessa de dinheiro para o exterior. Pelo menos duas já são citadas em uma ação penal instaurada contra o doleiro: DGX Imp and Exp Limited e RFY Imp. Exp. Ltd.

Por meio delas, de junho de 2011 a março de 2014, Youssef teria lavado dinheiro supostamente desviado da Petrobrás. Os investigadores rastrearam pelo menos US$ 78,2 milhões enviados por meio de 1.114 contratos de câmbio fraudulentos, que simulavam importações. 

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Costa está com US$ 23 milhões bloqueados na Suíça. Youssef está com US$ 5 milhões congelados naquele país. A suspeita é que as offshores foram usadas para movimentação desses valores.

A avaliação dos investigadores foi feita a partir da análise dos documentos aprendidos no dia 17 de março, quando a Operação Lava Jato foi desencadeada. Entre esses papéis estão a agenda pessoal de Costa e uma planilha de duas páginas com anotações manuscritas, esta encontrada em poder de um ex-aliado do ex-deputado José Janene (PR) que, no escândalo do mensalão federal, era o líder do PP na Câmara.

Janene, que morreu em setembro de 2010, era amigo e mantinha negócios com Youssef. A PF e a Procuradoria da República cravam que Youssef e Costa foram os mentores de organização criminosa que se teria infiltrado em órgãos públicos e na própria Petrobrás.

Conexão. Os investigadores cruzaram informações da planilha do ex-assessor de Janene e da agenda de Costa e identificaram menção a offshores para lavar o dinheiro que teria como fonte pelo menos seis empresas citadas no documento.

A planilha, juntada a um inquéritos instaurado há três meses sobre a lavagem do dinheiro, representa para os agentes indício forte da colaboração de campanha para candidatos. Nela há nomes de doadoras e executivos supostamente ligados a Costa. Eles deverão ser ouvidos no inquérito.

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Defesa. O criminalista Nelio Machado, que defende o engenheiro Paulo Roberto Costa, declarou que nas duas ações penais instauradas contra o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás não há nenhuma referência à planilha com nomes de empreiteiras e supostas doações. Segundo Machado, as testemunhas ouvidas em um dos processos “nada declararam nessa direção”.

Para o advogado, as acusações contra Costa “são uma presunção, não propriamente uma decorrência de investigação policial”. Machado disse que o ex-diretor da estatal “jamais falou sobre isso (as informações da planilha e da agenda pessoal)”.

Na planilha manuscrita usada para identificar as supostas origens do dinheiro lavado por meio das offshores, estão seis empresas que têm 77 contratos com a Petrobrás: Mendes Júnior, UTC/Constran, Engevix, Iesa, Hope e Toyo Sental. Elas doaram até R$ 35,3 milhões para partidos da base aliada do governo federal nas eleições de 2010, segundo a investigação.

A empreiteira Mendes Júnior informou que não tem conhecimento sobre a citação ao seu nome nos documentos encontrados. Em nota, a empresa destacou: “A Mendes Júnior desconhece a informação mencionada. A empresa informa que possui relações comerciais com a Petrobrás como prestadora de serviços de engenharia”.

A Hope informou que “estranha a citação de seu nome e esclarece que nunca teve qualquer relação com as pessoas investigadas.”

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Engevix informou que “todas as doações realizadas pela empresa a partidos políticos são públicas e nos termos da legislação”.

A UTC/Constran foi procurada, mas ninguém foi encontrado para comentar o assunto. Ninguém da Toyo Sental foi encontrado para comentar o caso. 

Fausto Macedo e Ricardo Brandt 
O Estado de S. Paulo
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