sexta-feira, 18 de julho de 2014

Conselho de Segurança da ONU fará reunião de emergência para discutir queda de avião da Malaysia Airlines


Imagem: Reprodução / UOL
O Conselho de Segurança da ONU se reunirá na sexta-feira para discutir a queda de um avião da Malaysia Airlines em uma área controlada por separatistas no Leste da Ucrânia, o que elevou a tensão do conflito ucraniano e matou 298 passageiros de várias nacionalidades.


A principal suspeita é de que um míssil terra-ar tenha sido utilizado para derrubar, nesta quinta-feira a aeronave, que saiu de Amsterdã com destino a Kuala Lumpur. Os lados opostos do conflito ucraniano — russos e rebeldes contra o governo central de Kiev e o Ocidente — fizeram acusações mútuas sobre a autoria do suposto ataque.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu então uma “investigação internacional completa e transparente” sobre a fatalidade, que deixou estimados 298 mortos. A reunião foi solicitada pelo Reino Unido.

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Mais cedo, os Estados Unidos afirmaram que o Boeing 777 da Malaysia Airlines foi derrubado por um míssil, informaram fontes do governo aos principais meios de comunicação americanos. O voo MH17 partira da Holanda às 12h14m (horário local) com 295 pessoas a bordo, 283 passageiros e 15 tripulantes. Segundo as autoridades ucranianas, não parece haver sobreviventes. Os EUA se disseram "horrorizados" e pediram uma investigação 'rápida' e sem obstáculos' sobre queda de avião.

Pelo menos cem corpos foram observados num raio de 15 quilômetros. Entre as vítimas, estão 154 holandeses, 27 australianos e 23 malaios, segundo a companhia aérea. Outras fontes indicam ainda a presença de 23 americanos, nove britânicos e quatro franceses, incluindo 80 crianças. Vários passageiros tinham como destino final uma conferência sobre Aids na Austrália.

O primeiro-ministro da Austrália, Tony Abbott, disse suspeitar que os rebeldes apoiados pela Rússia estavam por trás do disparo contra o avião.

Um sistema de radar teria detectado um míssil terra-ar seguindo a aeronave pouco antes de ela cair, informou uma fonte à rede CNN. Um segundo sistema detectou um rastro de calor. Os Estados Unidos analisam agora a trajetória para saber de onde a arma foi disparada, disse a fonte.

A informação reforça a declaração que o vice-presidente Joe Biden deu em viagem a Detroit.

- Aparentemente... E digo aparentemente porque não temos todos os detalhes ainda, foi derrubado. Não foi um acidente. Houve uma explosão no ar - disse Biden.

O Ministério do Interior ucraniano afirmou que o Boeing 777 foi, provavelmente, abatido por um míssil Buk terra-ar ao atravessar a área em conflito, onde separatistas travam uma luta contra o governo. O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, também descartou um acidente e determinou a criação de uma comissão para investigar o caso.

"Isso não é nem um acidente, nem uma catástrofe, é um ato terrorista", afirmou o porta-voz, Sviatoslav Tsegolko, no Twitter, atribuindo a declaração a Poroshenko e usando uma expressão normalmente utilizada para se referir aos separatistas.

Mas tanto o governo russo, quanto os separatistas do Leste ucraniano e também Kiev negaram envolvimento na queda do avião. A Rússia e a Ucrânia possuem mísseis Buk, e funcionários do Ministério da Defesa e da Segurança Nacional ucranianos informaram que os rebeldes também têm o armamento. Segundo os separatistas, o avião teria sido abatido por um jato ucraniano.

Em uma ligação telefônica, o presidente russo, Vladimir Putin, conversou sobre a tragédia com presidente dos EUA, Barack Obama, informou o Kremlin. Os dois líderes haviam marcado uma chamada para discutirem a crise ucraniana quando receberam informações dos controladores de tráfego aéreo sobre o acidente.

Putin, afirmou desconhecer que os rebeldes tivessem lançadores de mísseis Buk. E, segundo ele, mesmo que o possuíssem, não seriam capazes de operá-lo. Uma versão de que o alvo poderia ser o presidente russo foi noticiada pela agência estatal do país.

— Posso dizer que o avião do presidente russo e o Boeing malaio se cruzaram no mesmo ponto e no mesmo nível de voo. Isso aconteceu perto de Varsóvia, numa altitude de 10.100 metros. O avião do Vladimir Putin estava lá às 16h21m, hora de Moscou, o avião malaio às 15h44, hora de Moscou — disse uma fonte da Aviação Russa.

Putin enviou "profundas condolências" ao primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, que disse estar "chocado com a notícia". O premier britânico, David Cameron, também expressou tristeza pelo acidente.

O governo ucraniano, no entanto, resgata os acontecimentos dos últimos dias para provar que se tratou de um ataque.

— Este é o terceiro incidente trágico nos últimos dias depois de aeronaves militares ucranianas An-26 e SU-25 terem sido derrubadas a partir do território russo. Nós não descartamos que este avião também tenha sido abatido e ressaltamos que o Exército não tomou nenhuma ação para destruir alvos no ar — acrescentou Poroshenko.

UCRÂNIA TERIA PROVAS CONTRA RÚSSIA, DIZ EMBAIXADOR

O chefe de segurança do Estado da Ucrânia, Valentyn Nalivaychenko, foi mais direto e acusou dois oficiais russos de envolvimento na derrubada do avião, afirmando que eles devem ser punidos "por seus crimes". Nalivaychenko alega basear sua acusação em interceptações de conversas telefônicas. Segundo o embaixador ucraniano na ONU, Yuriy Sergeyev, o país vai apresentar provas do envolvimento da Rússia na queda do Boeing. Kiev também denunciou que separatistas armados estão prejudicando os trabalhos de busca no local da queda.

A Malysia Airlines confirmou o acidente da aeronave. O voo utilizava o código KL4103 e era compartilhado com a holandesa KLM.

A tripulação não relatou problemas durante o voo. Uma fonte não identificada das forças de segurança ucranianas, citada pela Interfax, disse que o avião desapareceu do radar a uma altura de 10 mil metros.

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Equipes de resgate recuperaram uma caixa-preta nesta sexta-feira do avião da Malaysia Airlines. Os socorristas, no entanto, não conseguiram especificar se é a caixa que registra as conversas da tripulação ou a que armazena os dados técnicos do voo.

Inicialmente, separatistas pró-russos disseram ter encontrado uma caixa-preta que poderia ser do avião, mas depois negaram a informação.

AJUDA DE SEPARATISTAS NAS INVESTIGAÇÕES

Os rebeldes pró-Russia permitirão aos investigadores ter acesso de forma segura ao local onde caiu a aeronave, anunciou nesta sexta-feira a Organizaçao para a Segurança e Cooperação na Europa (Osce).

Durante um videoconferência entre a Osce, Rússia e a Ucrânia com a participação dos separatistas, estes aceitaram oferecer um "acesso seguro a uma comissão nacional de investigação acompanhada de investigadores internacionais", indicou a Osce em um comunicado.

Segundo o militar Dmitry Tymchuk, o avião da Malaysia Airlines caiu perto da cidade Shajtarsk, na região de Donetsk, a 60 quilômetros da fronteira russa. A área é controlada por separatistas pró-Rússia, que estão lutando contra o exército ucraniano.

Testemunhas da cidade de Torez, na região de Donetsk, contaram à agência RIA Novosti que os destroços de avião e os corpos foram localizados nas proximidades. Um repórter da Reuters relatou que dezenas de corpos estavam espalhados em torno dos restos da aeronave, e um socorrista afirmou ter visto pelo menos cem corpos. Um vídeo publicado na internet nesta quinta-feira mostra fumaças que seriam da aeronave após a queda.

Companhias aéreas da Malásia confirmaram o acidente e afirmaram que vão lançar um comunicado em breve. O acidente vem apenas meses depois do voo MH370 da Malaysia Airlines desaparecer em 8 de março.

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Mais cedo, Kiev acusou um jato russo de derrubar um caça ucraniano SU-25 sobre o Leste do país, no terceiro caso relatado esta semana de avião abatido por um míssil. O governo ucraniano havia dito anteriormente que um cargueiro militar An-16 foi derrubado na segunda-feira provavelmente por um míssil disparado do território russo. Duas das oito pessoas a bordo da aeronave morreram.

Na quarta-feira, um outro SU-25 foi atingido por disparos de rebeldes, mas o piloto conseguiu fazer o avião aterrissar, com poucos danos. Nesse caso o governo ucraniano não acusou a Rússia de envolvimento direto.

O Globo
Editado por Folha Política
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