quarta-feira, 30 de julho de 2014

Dilma diz que PT herdou 'situação ruim' e prevê 'novo ciclo' no País


Imagem: Reprodução / Estadão
A presidente Dilma Rousseff afirmou, na sabatina na Confederação Nacional da Indústria (CNI) realizada na tarde desta quarta-feira, 30, que governo petista herdou um quadro ruim na capacidade do Estado de planejar ações na área de infraestrutura. "Nós somos herdeiros de uma situação ruim do ponto de vista público e privado", disse. Durante todo seu discurso, a presidente também voltou a criticar o "pessimismo" de alguns anilistas e chegou a fazer um apelo para que os empresários não se deixem envolver por "profecias pessimistas".

Dilma disse que o ex-presidente Lula e ela encontraram um Estado sem projetos para executar. "O Brasil não tinha projeto executivo e básico, não tinha carteira de projetos." Segundo ela, a situação atual da economia permitirá ao Brasil entrar em um "novo ciclo". "Criamos as bases", complementou.

A petista foi a terceira entrevistada da série de encontros realizada pela CNI para ouvir as propostas econômicas dos principais candidatos à Presidência. Na manhã e no início da tarde participaram o candidato do PSB, Eduardo Campos, e o candidato do PSDB, Aécio Neves.

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Dilma voltou a rebater o que ela define como "profecias pessimistas" e lembrou as previsões negativas feitas sobre a realização da Copa do Mundo no Brasil e sobre uma suposta crise no setor elétrico. "Expectativas pessimistas bloqueiam as realizações", disse.

Segundo a presidente, o País conta atualmente com uma situação macroeconômica melhor. Referindo-se ao período em que o Brasil foi governado por Fernando Henrique Cardoso, Dilma disse que as reservas cambiais do País cresceram dez vezes desde então.

Crise econômica. Em sua fala, a candidata à reeleição destilou uma série de ações e dados e, em tom provocativo, questionou os presentes como estaria a economia se o governo não tivesse tomado as decisões após a crise econômica mundial de 2008: "Como seria se não tivéssemos adotado as medidas anticíclicas? Em que situação estaria a nossa indústria?"

A presidente afirmou que a desoneração da folha de pagamento para 56 setores produtivos, a mudança na tributação de bens de capital, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do automóvel e da linha branca e a mudança no Simples Nacional são a "verdadeira reforma tributária" - iniciativa que os antecessores dela na sabatina, Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB), disseram que vão realizar logo no início do futuro mandato, caso eleitos. "Trata-se de uma verdadeira reforma tributária para esse seguimento empresarial majoritário no País", afirmou.

Concessões. Questionada sobre os problemas na infraestrutura,Dilma também afirmou que não está "feliz" com a forma como os investimentos na área têm sido feitos nos últimos anos. Apesar da autocrítica, a presidente ressaltou que o governo petista retomou os aportes em infraestrutura que não existiam antes. "É preciso avançar ainda mais. Mesmo considerando que fomos o governo que mais investiu em concessão", afirmou.

Dilma citou como exemplo o setor de rodovias, que realizou leilões de concessão para ampliar estradas. Segundo ela, as empresas agora são obrigadas a investir em até cinco anos e esta seria a principal diferença do modelo adotado pelo PT. "Não se fazia concessão para investir. Fazia-se para manter (rodovias antigas). O modelo era esse", disse.

Por fim, a presidente comentou o cenário dos direitos trabalhistas e saiu em defesa do diálogo. "Queremos construir um marco regulatório do trabalho compatível com a economia do século 21. Deve estar, sim, estruturado em torno da negociação coletiva", afirmou.Ela também defendeu a terceirização, mas não deixou de mencionar a importância dos direitos dos trabalhadores. "Temos que simplificar as relações trabalhistas, mas tem algumas garantias que a Lei Trabalhista deu no Brasil que eu não acredito que nenhum setor tem as condições de rasgar, como 13º e horas extras". 

Nivaldo Souza, Erich Decat, Daiene Cardoso, Beatriz Bulla, Ricardo Della Coletta, Ricardo Brito e Bernardo Caram 
O Estado de S. Paulo
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