sexta-feira, 4 de julho de 2014

Patrão de José Dirceu diz que ele pode receber familiares no local de trabalho


Imagem: Priscilla Mendes / G1
O advogado José Gerardo Grossi, dono do escritório em que o ex-ministro José Dirceu começou a trabalhar nesta quinta-feira (3), disse que o petista poderá receber familiares no local de trabalho. Questionado se políticos poderiam fazer visita "em um segundo momento", o advogado respondeu: "Eventualmente, não sei".

O petista, que cumpre pena em regime semiaberto por condenação no julgamento do mensalão do PT, fará "serviços administrativos" no escritório de Grossi, que é ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A proposta de emprego prevê jornada das 9h às 18h e salário de R$ 2,1 mil. No seu primeiro dia, Dirceu passou das 7h50 às 18h06 no local.

Após Dirceu deixar o escritório, Grossi, em entrevista, disse que conversou nesta quarta-feira (2) com a juíza da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, Leila Cury, para esclarecer as regras da permanência do petista no local de trabalho. Segundo o advogado, visitas de familiares estão liberadas. Neste primeiro dia de trabalho, porém, Dirceu não recebeu ninguém.

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"Esse foi um assunto que conversamos ontem com a doutora Leila e estabelecemos que neste primeiro momento dele aqui as visitas se limitem aos familiares dele", afirmou Grossi.

Grossi não soube esclarecer se Dirceu tem permissão para falar ao celular fora da penitenciária, como apareceu ao sair do escritório nesta quinta. Grossi disse que pretende conversar novamente com a juíza Leila Cury sobre o assunto. "Não tenho isso claro ainda. Quero voltar lá e perguntar novamente", afirmou. "A minha intenção é que se cumpram as regras estritamente", completou o criminalista.

Dentro do escritório, a primeira missão do ex-ministro será organizar a biblioteca de Grossi. "Está um terror", brincou o novo patrão de Dirceu. Ele terá uma mesa dentro da mesma sala onde trabalham outras duas funcionárias do escritório, uma delas, a esposa do advogado, Adelaide Grossi.

Nesta quinta-feira, durante as dez horas que esteve no escritório, o petista "tomou conhecimento" das tarefas que passará a desempenhar.

"Ele chegou naturalmente excitado. O homem ficou seis meses trancafiado", disse Grossi, que chamou o ex-ministro para um café em sua sala pela manhã. "Naturalmente está sem capacidade de contar uma longa história. Falamos coisas pingadas", contou.

Na hora do almoço, o petista poderia se deslocar em um raio de 100 metros do local de trabalho, mas preferiu permanecer no escritório, de onde pediu a refeição. "Nesse primeiro momento, eu gostaria que ele fizesse as refeições aqui, como eventualmente algum de nós faz", disse Grossi.

José Gerardo Grossi conhece Dirceu há mais de 20 anos e, desde a prisão, visitou o ex-ministro da Papuda em quatro ocasiões.

"Eu disse: 'Zé, se você precisar de um lugar para trabalhar, meu escritório está às ordens'. Fiz isso muito a vontade porque conheço o Zé há mais de 20 anos. Temos uma boa amizade, eu não devo favor a ele e nem ele a mim", contou o advogado.

Priscilla Mendes
G1
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