terça-feira, 29 de julho de 2014

PM infiltrado forneceu detalhes de atos violentos no Rio


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Por quatro meses, entre março e julho deste ano, o policial militar Maurício Alves da Silva, 33, se infiltrou entre os manifestantes nos protestos pelas ruas do Rio.

Diz ter visto de perto ataques com coquetéis-molotovs a policiais e chegou a ir a bar tomar cerveja e conversar com lideranças do movimento.


A confiança conquistada foi tão grande que os manifestantes o incluíram no grupo que tinha acesso às mensagens trocadas por meio de uma rede fechada de bate-papo, o Telegram. Assim, ele sabia de forma antecipada onde seriam os protestos, e quem participaria deles.

No início do mês, Silva, lotado na Força Nacional, abandonou o disfarce e prestou depoimento na DRCI (Delegacia de Repressão à Crimes de Informática).

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A Folha de S. Paulo teve acesso ao depoimento. Em seis páginas, o policial detalha a ação de alguns dos denunciados no processo que apura violência nas manifestações no Rio.

Ele chegou ao Estado em março para integrar a equipe da Força Nacional que ocupa o morro Santo Amaro, no Flamengo, na zona sul. A ocupação começou há dois anos para acabar com uma cracolândia que havia na região.

Como a ação afastou os dependentes em crack, o policial de Brasília ganhou uma nova missão: ser observador da Força Nacional dos protestos nas ruas do Rio.

Para isso, lançou mão de uma arma amplamente usada por ativistas nos atos de 2013: filmagens transmitidas ao vivo pelo telefone celular.

Só que, em vez de enviar as imagens para um site, o policial transmitia os dados para o Centro Integrado de Comando e Controle, da Secretaria de Segurança do Rio.

De lá, a coordenação da Força monitorava os protestos, deslocava PMs de acordo com a necessidade e tentava identificar autores de ataques.

Sob o argumento de que filmava protestos para um trabalho de gestão pública, Silva se aproximou dos manifestantes. A presença constante nos atos levou o PM a obter a confiança de um jovem, à época com 17 anos, apontado como um dos responsáveis por jogar coquetéis-molotovs contra a polícia.

Em um dos protestos, chega a se colocar diante do rapaz para defendê-lo das bombas da polícia, segundo o depoimento. Com o ato, teria conquistado sua confiança.

DENUNCIADOS

Em um protesto em 13 de junho, em Copacabana, o policial conta que ouviu a advogada Eloísa Samy, que está entre os 23 réus, dizer aos 'black blocs' que estava na hora de começar a confusão, dando a entender que era para começar o vandalismo.

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O depoimento cita 14 pessoas. Três foram denunciadas – além de Samy, Gabriel da Silva Marinho, 20, e Karlayne Moraes Pinheiro, conhecida como Moa, 26.

O policial contou que Moa e Marinho produziam os coquetéis-molotovs.

Os outros citados por ele ainda são investigados pela polícia. A defesa de Samy não foi encontrada. O advogado Lucas Sada, que defende Moa e Marinho, disse que se pronunciará apenas em juízo.

Marco Antonio Martins
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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