terça-feira, 29 de julho de 2014

'Voluntários' da campanha de Campos e Marina querem dinheiro por sua colaboração


Imagem: Reprodução / Estadão
Dois proprietários de imóveis onde foram inaugurados os primeiros exemplares das “Casas de Eduardo e Marina” disseram esperar receber dinheiro pela iniciativa. Nesta segunda-feira, 28, a vice-presidente na chapa de Eduardo Campos (PSB), Marina Silva, passou por uma saia-justa ao visitar um desses “comitês voluntários” em Osasco, na Grande São Paulo, pois o dono da casa, Edivaldo Manoel Sevino, deu a entender que teria uma expectativa de retorno financeiro por ceder o espaço.

Ao gravar um depoimento para ser usado pela campanha, Sevino, desconfiado, olhou para os lados e perguntou se poderia falar a verdade. Encorajado pelos assessores de Marina, fez um gesto com a mão e disse que esperava “receber unzinho” pela atitude.

Defensora do “engajamento político”, a ex-ministra propaga a ideia de que essas casas – nos moldes da iniciativa que colocou em prática em 2010, quando foi candidata à Presidência – funcionarão de forma voluntária e com a participação de pessoas que “compartilhem” das suas ideias e das de Campos. 

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Quando soube da fala de Sevina, Marina ficou visivelmente constrangida e comentou com um dos assessores: “Isso é muito grave”. Questionada por jornalistas sobre o episódio, ela rechaçou a prática de pagar por apoio político e disse que pediu para os seus aliados que organizaram o evento apurarem o caso. “Não trabalhamos dessa forma, nunca fizemos esse tipo de coisa e isso nem pode de acordo com a lei”, afirmou. 

Questionada por jornalistas sobre o episódio, Marina rechaçou a prática de pagar por apoio político e disse que pediu para os seus aliados que organizaram o evento apurarem o caso. “Não trabalhamos dessa forma, nunca fizemos esse tipo de coisa e isso nem pode de acordo com a lei”, afirmou. 

Marina argumentou ainda ter ficado evidente que ela não sabia de qualquer oferta de compensação financeira a Sevino, pois foram os seus próprios assessores que fizeram a gravação e foram surpreendidos com a resposta. Antes do episódio, a ex-ministra havia dito que ficou “emocionada” quando o morador contou a ela quanto ganhava por um dia de trabalho e que havia abdicado de ir ao serviço nesta segunda para participar do evento. A ex-ministra havia classificado a atitude como um exemplo da “nova política”. 

Imbróglio. A residência de Sevino virou uma “Casa de Eduardo e Marina” a pedido de José Ângelo da Silva, conhecido como “Pernambuco”. Em 2012, ele concorreu a uma vaga na Câmara de Vereadores de Osasco pelo PMN enesta segunda fazia as vezes de cabo eleitoral do candidato a deputado estadual Reinaldo Mota (PSB), pastor ligado à Marina, que disputou a prefeitura de Osasco também pelo PMN. 

Mota negou que Pernambuco trabalhe para ele, mas admitiu que quando a visita de Campos e Marina a Osasco foi confirmada no domingo, pediu ajuda para localizar uma casa na periferia da cidade que pudesse abrigar o comitê voluntário. O aliado da ex-ministra, no entanto, nega ter prometido dinheiro em troca da colaboração.

Segundo Marina, é preciso considerar a condição de vida da família de Sevino e a cultura política do Brasil para entender o episódio. “Infelizmente eles estão acostumados com o padrão de campanha feito por muitos segmentos”, afirmou.

O vídeo gravado pela equipe de campanha não foi divulgado nas redes sociais, mas tanto Campos quanto Marina destacaram no Facebook o novo comitê inaugurado em Osasco. “Cada vez mais brasileiros abrem seus corações e suas casas para as ideias que vão construir um novo Brasil”, registrou o candidato à Presidência.

Minas. Responsável pelo primeiro “comitê voluntário” da dupla inaugurado na periferia de Belo Horizonte, na semana passada, o pedreiro Hélio Castro disse ao Estado que estava trabalhando na campanha por dinheiro. “Ué, mas não dá para ficar por conta sem receber. Além do mais, isso (o dinheiro) faz a gente trabalhar com mais alegria”, ressaltou Castro, descartando a possibilidade de fazer campanha de graça.

O pedreiro disse que combinou com os dirigentes do PSB mineiro que o filho Lucas “ficará por conta” da campanha, mas não quis falar de valores. Ele disse que o filho aguarda os materiais e a ajuda financeira para iniciar o trabalho.

Na sede do PSB em Minas, ninguém quis falar sobre como os comitês estão sendo montados e nem sobre possíveis remunerações.

A campanha nacional nega que tenha sido ofertado dinheiro em troca da organização dos espaços. Desde a semana passada, quatro deles já foram inaugurados com a presença de Campos ou de Marina. Segundo a assessoria de imprensa da dupla, mais de 450 pessoas, em todo o País, já se ofereceram suas casas para a iniciativa. 

O vídeo gravado pela equipe do presidenciável em Osasco não foi divulgado nas redes sociais, mas tanto Campos quanto Marina destacaram no Facebook o novo comitê inaugurado na cidade. 

Ana Fernandes, Isadora Peron e Alex Capella 
O Estado de S. Paulo
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