quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Aécio diz que não pedirá licença do Senado 'para impedir que a farsa [na CPI] seja mantida'


Imagem: Filipe Matoso / G1
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, afirmou nesta quarta-feira (6), após ato político em Brasília, que não irá se licenciar do mandato de senador durante a campanha eleitoral deste ano. No entanto, o presidenciável tucano disse que abrirá mão, durante o período eleitoral, do salário de R$ 26.723,13 que recebe como senador.

De acordo com Aécio, as suspeitas de fraude na CPI do Senado que apura denúncias contra a Petrobras pesaram em sua decisão de se manter no Legislativo em meio à disputa eleitoral.

“Eu gostaria de informar que decidi hoje [quarta, 6] me manter no meu exercício de senador da República sem receber remuneração durante os meses da eleição para mantermos aqui viva e presente a posição das oposições no Senado. […] E decidimos nos manter no exercício do mandato para impedir que a farsa [na CPI] seja mantida”, declarou o candidato tucano.

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Reportagem publicada no último final de semana pela revista "Veja" aponta que a presidente da Petrobras, Graça Foster, e dois ex-dirigentes da estatal do petróleo receberam antecipadamente as perguntas que foram feitas em seus depoimentos à CPI exclusiva do Senado.

Segundo a revista, Graça Foster, o ex-presidente da Petrobras Sergio Gabrielli e o ex-diretor da área internacional da petroleira Nestor Cerveró tiveram acesso privilegiado aos questionamentos que seriam feitos por integrantes da comissão.

A reportagem relata detalhes de um vídeo de 20 minutos de duração no qual aparecem o chefe do escritório da Petrobras em Brasília, José Eduardo Barrocas, o advogado da empresa Bruno Ferreira e uma terceira pessoa não identificada conversando sobre as perguntas que seriam formuladas, sobre quem as elaborou e sobre quem deveria recebê-las.

CPI da Petrobras

Em meio ao evento eleitoral, Aécio Neves deu a entender que a oposição passaria a participar ativamente da CPI da Petrobras no Senado, boicotada desde o início por PSDB, DEM e PPS.

"[A ausência em sessões] foi uma estratégia adotada em um determinado momento, porque a oposição sequer tinha condições de apresentar requerimentos, em razão da esmagadora presença da base. Com essas denúncias, extremamente graves, até porque ninguém esperava que isso pudesse ocorrer, nossa expectativa é retomar com mais vigor e estamos definindo por participar e estar mais vigilantes", afirmou o tucano.

Horas depois, no entanto, retificou e disse a oposição continuaria apenas atuando na CPI mista da Petrobras, colegiado mais amplo que reúne senadores e deputados.

"Eu não entendi CPI do Senado. Foi engano meu. Eu peço aqui que corrijam, porque essa CPI do Senado nunca existiu. Quando falaram da CPI e eu entendi da CPMI, Câmara e Senado. Foi essa pela qual nós lutamos. A CPI do Senado é natimorta", disse.

Ao citar a Petrobras, Aécio disse ainda que a estatal está a serviço "de um projeto de poder". Para ele, apesar de ser minoria na CPI da Petrobras do Senado, a oposição estará presente nas sessões para que as investigações não se transformem “numa farsa ainda maior”.

Filipe Matoso
G1
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