sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Candidato evangélico tira votos dos favoritos; Dilma é a mais afetada


Imagem: André Dusek / AE
Candidato ao Palácio do Planalto pelo Partido Social Cristão, o líder evangélico Pastor Everaldo, da Assembleia de Deus, está atraindo o apoio de líderes de igrejas evangélicas que se alinharam a tucanos e petistas na última eleição. A expectativa no setor, que representa 22,2% da população brasileira, segundo o IBGE, é que a candidatura do religioso atinja entre 10% a 12% do eleitorado até outubro. Na última pesquisa Datafolha ele obteve 3% das intenções de voto e manteve-se descolado do batalhão de nanicos.


Para chegar a essa meta, Everaldo está construindo apoios com o discurso de que somente uma candidatura evangélica será capaz de impor no debate eleitoral as bandeiras da "família" e da "vida". Segundo líderes evangélicos das maiores igrejas ouvidas pelo Estado, a expectativa é de que o crescimento dele force os demais candidatos a se posicionar claramente em temas como a legalização do aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo e descriminalização das drogas.

Na campanha de 2010, esses temas ganharam mais relevância no segundo turno.

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Entre os que se aproximaram de Everaldo estão os pastores Silas Malafaia, presidente da Associação Vitória em Cristo, e José Wellington Bezerra da Costa, presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Ambos apoiaram José Serra (PSDB) na disputa de 2010. Já a presidente Dilma Rousseff (PT) perdeu para o candidato do PSC apoios importantes que teve em 2010. Entre os mais significativos estão o Bispo Rodovalho, da igreja Sara Nossa Terra, o pastor Manuel Ferreira, da Convenção Nacional Madureira, e o senador Magno Malta (PR-ES), o principal porta-voz dos evangélicos no Congresso Nacional. O próprio Pastor Everaldo fez campanha para a petista há quatro anos.

Contra Dilma. "Não podemos ficar com ninguém que não seja o Everaldo. Evangélico ficar contra o Pastor é como cuspir na nossa bandeira", disse Malta, que é casado com a cantora gospel e deputada federal Lauriete (PSC-ES), figura popular da Assembleia de Deus. Entre as lideranças evangélicas, é consenso que a principal prejudicada pela candidatura Everaldo será a presidente Dilma. "Quem está com eles num trabalho isolado é o bispo Edir Macedo, mas a Igreja Universal tem uma parcela pequena dos evangélicos", diz Malafaia. Até mesmo esse apoio, porém, está sob risco. Em uma reunião recente com o deputado Rui Falcão, presidente do PT, um deputado e dirigente da Universal fez um alerta e afirmou que está tendo dificuldade em selar o apoio para a presidente por questões "programáticas".

Ele pediu a Falcão que Dilma se posicione de maneira clara sobre temas como aborto, casamento gay e drogas. Para reforçar os laços com a Universal, petistas defendem que Dilma participe da inauguração do megatemplo da Universal em São Paulo, no dia 31 de julho. O local terá 74 mil metros quadrados de área construída e capacidade para receber 10 mil fiéis sentados. Outros líderes evangélicos dizem reservadamente que o governo foi "conivente" ou "apoiou" políticas que incentivam a homossexualidade. E reclamam, ainda, que não foram sequer recebidos por Dilma depois de apoiá-la na campanha de 2010. "Queremos ouvir da Dilma o que ela pensa de questões como o aborto e a família. Precisamos de respostas", diz o Bispo Rodovalho.

A Assembleia de Deus Madureira, com sede no Rio de Janeiro, que em 2010 esteve com Dilma, já definiu o apoio no 1.º turno para o Pastor Everaldo. A entidade é presidida pelo bispo Manoel Ferreira que, aos 82 anos, aparece como primeiro-suplente na candidatura do deputado federal Geraldo Magela, do PT, para o Senado. Ferreira, que se filiou ao PSC, foi visto no Distrito Federal em campanha ao lado de Magela. Apesar disso, segundo seus assessores, o apoio para o segundo turno ainda não está definido.

Dados do IBGE de 2010 mostram que a Assembleia de Deus é a maior igreja evangélica neopentecostal - com 10,3 milhões de seguidores, bem à frente da segunda, a Congregação Cristã do Brasil, que tem 2 milhões de fiéis. A Universal aparece em terceiro lugar com 1,76 milhão, seguida pela Igreja do Evangelho Quadrangular, com 1,7 milhão.

"Acredito que 95% das lideranças evangélicas estarão contra Dilma, pelo apoio que ela tem dado a projetos que afrontam valores da família", diz Malafaia. Segundo ele, os evangélicos são o segmento social que mais usa as redes sociais e mais está antenado com o que acontece no governo petista.

Pedro Venceslau e José Maria Tomazela 
O Estado de S. Paulo
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