quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Com custo sete vezes maior e cinco anos de atraso, Abreu e Lima atropela projeto e demite operários


Imagem: Agência Petrobras
O cronograma de entrega da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, pode ficar novamente comprometido.

Para cumprir o prazo de entrega da 
primeira unidade, em novembro, a Petrobras praticamente abandonou as obras da segunda unidade, oficialmente prevista para entrar em operação em maio de 2015.


Além de postergar a segunda unidade, a empresa vai reforçar os turnos de trabalho, segundo apurou o Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor. Com a mudança, a atividade vai passar a ser realizada de forma ininterrupta, com duas jornadas de 12 horas.

De acordo com o último balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), 87% das obras da refinaria estavam concluídas em 30 de abril deste ano. A refinaria terá capacidade para processar 230 mil barris de óleo por dia e está estimada hoje em R$ 37,4 bilhões, mais de sete vezes o valor previsto inicialmente.

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Apesar do atraso no projeto - originalmente previsto para sair em 2010, já pode ser percebida alguma desmobilização de mão de obra no empreendimento, instalado no porto de Suape, Litoral Sul de Pernambuco. De acordo com o Ministério do Trabalho, pouco mais de 1,5 mil trabalhadores da construção civil foram dispensados no primeiro semestre na cidade de Ipojuca, onde fica o porto.

Segundo fonte na Petrobras, as obras de Abreu e Lima chegaram a contar com 45 mil operários no pico de atividade, contingente que está hoje em torno dos 39 mil trabalhadores. A desmobilização, no entanto, seria bem maior se o cronograma da obra estivesse em dia.

Em nota enviada ao Valor, a estatal reafirma que "a data de partida do segundo trem [unidade] da Refinaria Abreu e Lima é maio de 2015" e que a "entrada em operação do primeiro trem será em novembro de 2014". Segundo a Petrobras, "não procede a informação de que o cronograma do empreendimento será comprometido. Em junho a refinaria atingiu realização de 88,5% das obras, sendo que já há unidades em operação. O contingente atual no empreendimento é de 32,2 mil trabalhadores", afirma a nota.

Mesmo considerando os inúmeros problemas da obra, a desmobilização na refinaria preocupa o governo de Pernambuco. Havia a expectativa de que grandes obras de infraestrutura em curso no Nordeste pudessem absorver parte dos operários. A esperança estava na ferrovia Transnordestina, na Adutora do Agreste, no Arco Metropolitano do Recife e na transposição do rio São Francisco.

Para evitar um crescimento expressivo do desemprego às portas da eleição, o governo estadual criou ainda um fundo de apoio financeiro aos municípios, que funciona desde o ano passado por meio de repasses a fundo perdido para investimentos das prefeituras em pequenas obras.

Os grandes empreendimentos, entretanto, não avançaram. A Transnordestina segue praticamente paralisada, assim como o Arco Metropolitano do Recife, projeto orçado em cerca de R$ 1 bilhão e que promete ligar o porto de Suape ao município de Goiana (local da nova fábrica da Fiat), sem passar pelo Recife.

O projeto seria tocado via parceria público privada e chegou a ter estudos feitos pela Odebrecht. Em 2013, no entanto, a presidente Dilma Rousseff anunciou, em visita a Pernambuco, que a União assumiria o projeto. Em dezembro, Dilma lançou o edital para a licitação da obra, mas não há prazo anunciado para o leilão.

Nos últimos meses, o governo federal derrubou pela metade os repasses para as obras da Adutora do Agreste, outro projeto de R$ 1 bilhão em curso no Estado. Executada pela Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), a obra tem 90% dos custos bancados pela União, por meio do Ministério da Integração.

Em reunião recente, o presidente da Compesa, Roberto Tavares, tratou do tema com o ministro da pasta, Francisco Teixeira. Foi informado de que o fluxo vai ser normalizado. Em nota, a assessoria do ministério informou que R$ 25 milhões devem ser liberados nos próximos dias, montante que vai se juntar a R$ 34 milhões repassados em 2014. Ao todo, R$ 302 milhões já foram liberados desde o início das obras. "Novas liberações serão feitas de acordo com o ritmo da obra e o saldo dos recursos federais repassados", informou o ministério.

"Tem havido certa descontinuidade no repasse dos recursos, o que tem dificultado a evolução da obra. Se o fluxo permanecer como estava até março, concluímos no prazo [julho de 2015]", disse o secretário de Infraestrutura de Pernambuco, João Bosco.

Valor
Editado por Folha Política
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