sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Ex-diretor da Petrobras decide contar o que sabe para sair da prisão


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa aceitou fazer na tarde desta sexta-feira (22) um acordo de delação premiada com procuradores que atuam na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, para deixar a prisão. 

Costa é considerado uma bomba política pelos contatos que tinha. Ele foi indicado em 2004 para a diretoria da Petrobras pelo PP, obteve posteriormente o apoio do PT e tinha trânsito no PMDB. Ao mesmo tempo, tinha contato com a cúpula das maiores empreiteiras do país. Ficou no cargo até 2012. 

Ele teria dito na prisão que se contasse tudo o que sabe à Justiça não haveria eleições neste ano. 

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A decisão sobre a delação ocorreu no mesmo dia em que a Justiça autorizou operações de busca e apreensão em 13 empresas no Rio de Janeiro que pertencem a uma filha, um genro e um amigo de Costa. 

Delação premiada ou colaboração com a Justiça é um recurso no qual um réu fornece informações para a Justiça em troca de uma pena menor. No caso de Costa, sua família quer que ele deixe a prisão o mais rapidamente possível. 

Uma nova advogada, especializada em delação premiada, foi enviada pela família a Curitiba para discutir os termos da delação. Beatriz Catta Preta, a defensora escolhida pelos familiares, já cuidou da colaboração dos doleiros Raul Srour e Richard Andrew de Mol van Otterloo. 

O advogado que defendia Costa, Nelio Machado, deixou o caso por discordar da estratégia da família. "A defesa do Paulo Roberto é absolutamente viável. Estão trocando uma defesa certa por uma aventura", disse Machado à Folha. 

O ex-diretor da Petrobras foi preso pela segunda vez no dia 11 de junho, após as autoridades da Suíça informarem a Justiça brasileira que ele tinha contas com US$ 23 milhões naquele país. Ele havia sido preso inicialmente em 20 de março sob acusação de ocultar provas, mas foi liberado 59 dias depois por decisão do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal. 

Costa foi diretor da Petrobras no período em que a estatal começou uma de suas maiores obras, a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, que já consumiu US$ 18,5 bilhões (R$ 42,2 bilhões). A construção de Abreu e Lima estava subordinada à diretoria ocupada por Costa na Petrobras. 

Ele é réu em um processo sob acusação de ter superfaturado contratos da refinaria e o valor a mais pago teria retornado a ele como propina. O doleiro Alberto Youssef, preso junto com Costa, é acusado de cuidar da lavagem do dinheiro recebido como suborno. 

Na única entrevista que deu após a sua primeira prisão, à Folha, Costa negou que houvesse superfaturamento e suborno em contratos da Petrobras. 

A Folha revelou no dia 10 de agosto que Youssef também queria colaborar com a Justiça por não ver saída jurídica para o seu caso tamanha é a quantidade de provas contra ele. 

O doleiro é réu em 12 processos e pode ser condenado a mais de cem anos de prisão. No caso de Youssef, porém, havia resistência dos procuradores porque eles não confiam no doleiro e já tinham documentos para provar uma plêiade de crimes contra ele.

Mário César Carvalho
Folha de S. Paulo
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