sábado, 9 de agosto de 2014

Informe do Santander que causou crise ao depreciar Dilma reproduziu relatório de outra instituição


Imagem: Reprodução/Gazeta/Esmael Morais
O informe econômico do Santander que criou uma saia justa com o governo Dilma Rousseff, irritou o PT e provocou a demissão de quatro funcionários do banco, reproduziu frases inteiras do relatório de um outro banco, o Fator, que já circulava no mercado há mais de um mês.


O texto produzido pelo Fator no dia 3 de junho é do economista Paulo Gala, professor da FGV. A análise do Santander ficou pronta mais de um mês depois.

Questionado pela Folha, Gala não quis dizer se considerava ter sofrido plágio e se recusou a comentar o assunto. A semelhança entre os textos foi apontada nesta quinta (7) pelo Valor PRO, serviço em tempo real do Valor.

Enviado no final de julho aos clientes vips do Santander, o texto tratava a reeleição de Dilma como uma ameaça à economia. Os pontos mais críticos eram quase iguais aos publicados pelo Fator.

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"A quebra de confiança e o pessimismo crescente em relação ao Brasil em derrubar ainda mais a popularidade da presidente, que vem caindo nas últimas pesquisas", dizia o texto do Santander.

O texto do Fator destacava: "A quebra de confiança e pessimismo crescente em relação ao Brasil pode derrubar ainda mais a popularidade da presidente nas pesquisas".

Noutro ponto, o informe do Santander dizia: "Se a presidente se estabilizar ou voltar a subir nas pesquisas, um cenário de reversão pode surgir". O texto do Fator era: "Se Dilma se estabilizar ou voltar a subir nas pesquisas um cenário de reversão pode surgir".

Diferente da análise do Santander, a do Fator, com conteúdo semelhante ao que vários outros bancos distribuíram no mercado, não chamou a atenção.

Assim que o texto do Santander veio a público, Dilma classificou o episódio de "lamentável" e "inadmissível". O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a responsável pelo texto não entendia nada de Brasil e deveria ser demitida e o PT falou em terrorismo eleitoral.

O Santander veio a público afirmar que o texto não refletia a opinião do banco e pediu desculpas.

Na sequência, demitiu quatro funcionários, como informou a Folha: a gerente de investimentos, que escreveu o polêmico informe, além de dois colegas e a superintendente da área, que aprovaram o texto.

Eram todos da área Select, voltada para clientes com renda mensal acima de R$ 10 mil. A Folha não conseguiu contato com eles.

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No mercado financeiro, ficou a impressão de que o Santander cedeu às pressões e mandou os funcionários embora na tentativa de agradar Dilma e o PT. O banco nega.

Marcos Madureira, um dos vice-presidentes do Santander, afirma que o banco "não recebeu, nem aceitaria qualquer tipo de pressão" e que a equipe foi demitida por desobedecer o código de conduta da instituição –que proíbe os funcionários de fazer manifestações políticas ou partidárias em nome do banco. 

DAVID FRIEDLANDER
DE SÃO PAULO
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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