quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Metalúrgicos do ABC não se interessam por ouvir Lula e Padilha; Lula culpa o carro de som


Imagem: Michel Filho / Agência O Globo
Nem mesmo jogando em casa, com seu principal astro em campo e com o apoio de uma massa organizada de mais de 300 militantes e apoiadores, o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT), candidato a governador, conseguiu atrair a atenção dos eleitores. Na tarde desta terça-feira, ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o petista fez campanha na porta de uma montadora em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, Grande São Paulo, e não conseguiu a adesão dos cerca de quatro mil metalúrgicos que saíam de um turno de trabalho. Entre os petistas o desânimo é visível. O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, criticou a baixa arrecadação da campanha do ex-ministro.


Não é de hoje que o desempenho de Padilha preocupa os petistas. Em junho, lideranças da legenda já temiam pelo baixo desempenho do candidato escolhido por Lula para disputar a sucessão estadual. A análise do PT é que se ele continuar mal em São Paulo, a presidente Dilma Rousseff (PT) terá mais dificuldade para reverter o quadro de rejeição no estado, que ultrapassou os 40% nas últimas pesquisas. Os petistas estão debruçados sobre as últimas pesquisas eleitorais, como o Ibope divulgado no dia 30 de julho, que deu 5% para Padilha e mostra Dilma em queda no estado.

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Na programação oficial do ato político, militantes estariam desde as 14h na porta da unidade da Ford de São Bernardo, às margens da Rodovia Anchieta, fazendo panfletagem. Às 16h, Padilha e Lula chegaram a porta da fábrica, onde aguardariam a saída dos trabalhadores prevista para o mesmo horário. Em seguida, discursariam.

A organização saía como planejado até que um problema no carro de som obrigou Lula e Padilha a desistirem de ficar em cima do veículo, e os obrigou a ir para dentro da fábrica fazer o corpo a corpo com os trabalhadores. Durante o ato, o som foi restabelecido, mas voltou a falhar. Apesar da presença da principal estrela do PT, os trabalhadores não esperaram para o discurso final e foram embora da fábrica antes que o ex-ministro e Lula discursassem.

Organizadores minimizaram a debandada justificando que os trabalhadores estavam cansados e foram embora para não perder as conduções que os aguardavam. Acostumado a comandar multidões nos anos 1970 e 1980 na portas das montadoras do ABC Paulista, Lula criticou:

— Da próxima vez temos que pedir ao sindicato que convoquem uma assembleia para os trabalhadores ficarem. E arrumar um carro de som melhor também. Eles não estavam conseguindo nos ouvir — disse Lula, que não quis falar com a imprensa, e completou:

— Falam que eu gosto de um poste. Vou dar luz a este poste — disse o ex-presidente, em referência a Padilha.

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Uma das táticas adotadas pelo PT para tentar tirar da inércia a campanha de Padilha é intensificar a presença do ex-presidente Lula na sua campanha e "reconquistar" os votos da base sindical da legenda. O PT conta com prefeituras importantes no chamado cinturão vermelho da Grande São Paulo: São Bernardo do Campo, Santo André, Mauá, Osasco e Guarulhos, com mais de três milhões de eleitores.

Renato Onofre
O Globo
Editado por Folha Política
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