sábado, 9 de agosto de 2014

'Não poderemos ficar', diz idosa, inquilina de Dilma, sobre aumento de aluguel de R$3 mil para R$5 mil de uma vez


Imagem: Monique Renne/CB
Na casa da presidente Dilma Rousseff no bairro Menino Deus, em Porto Alegre (RS), funciona a lavanderia Bolha Azul. No endereço, localizado na área central da capital gaúcha, a "gerente" mais ilustre do Palácio do Planalto não apita nada.

A dona da lojinha é Cristiane Baiocco Bonacina, 42, que aluga o imóvel há nove anos. 


A casa é um dos cinco bens na capital gaúcha registrados na declaração apresentada pela presidente ao Tribunal Superior Eleitoral neste ano.

Quando decidiu alugar o espaço, Cristiane não sabia que a proprietária era a petista, então ministra do governo Lula. Só descobriu quando ela e o marido foram assinar o contrato.

"A gente sempre sonhava em encontrá-la por aqui, para ver que a gente luta, e como luta", contou à Folha.

Mãe de dois filhos, Cristiane relata uma rotina pesada na lavanderia que toca com o marido. Diz que, assim que fecham as contas do mês, a primeira coisa que faz é quitar o aluguel.

Como o marido é o responsável pelas finanças, ela não sabe o valor da despesa, mas calcula ser menos do que os R$ 5.000 a R$ 7.000 cobrados na região por se tratar de um contrato antigo.

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Mesmo assim, ela lamenta não ser a proprietária: "Não precisava me dar [o imóvel]. Meu sonho é que o aluguel fosse prestação para ela, não temos dinheiro para comprar".

A casa tem valor declarado ao TSE de R$ 104 mil. Para Cristiane, o dinheiro do aluguel não deve fazer nem ''cócega'' na presidente.

Cristiane ''nunca foi'' da política e não vota. "Acredito na liderança divina", explica a ex-católica e ex-testemunha de Jeová. Ainda assim, elogia a presidente. "Eu acho que é brava, mas gosta das coisas certas."

Em Higienópolis, zona norte da capital gaúcha, Dilma tem Inge Bohnenberger, 65, como inquilina desde 2011. O apartamento 502 na rua Couto de Magalhães foi um achado. Em busca de uma ''vista bonita" para o rio Guaíba e um ambiente espaçoso, a aposentada e o marido, de 83 anos, gostaram do imóvel.

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Decididos a se instalar ali, quiseram saber do zelador quem era o proprietário. "A senhora conhece. Não conhece pessoalmente, mas sabe quem é." E a reação? "Me senti, assim, muito importante de alugar um imóvel da Dilma", brincou.

Inge diz não concordar com a forma como Dilma conduz o país. Indagada sobre se votou na presidente na eleição passada, ela responde: "Ih, se eu contar ela vai me botar para a rua já".

E continua, sem jeito: "Não, não votei. Sempre fui PSDB. Vou votar no Aécio [Neves, candidato do PSDB à Presidência] esperando que ele siga os passos do Fernando Henrique [Cardoso] e nos tire dessa estagnação".

"Não poderemos ficar"

A inflação também bate na porta da casa de Dilma. Inge diz que pagam entre R$ 3.000 e R$ 3.500 de aluguel, mas estão ''indignados'': foram informados que o valor vai subir para R$ 5.000. "Vamos tentar negociar com a imobiliária. Se for isso, não podemos ficar", diz.

A presidente possui outro apartamento no bairro Assunção, onde se hospeda quando vai a Porto Alegre. O imóvel, uma cobertura, está declarado no valor de R$ 290 mil. O corretor Afonso Necchi fez a venda nos anos 2000, quando Dilma ainda era secretária de Minas e Energia no governo Olívio Dutra (PT).

Um apartamento à venda consultado pela Folha na semana passada no local custa R$ 580 mil. O corretor não soube informar quanto valeria o imóvel hoje.

Dilma possui ainda dois lotes no luxuoso condomínio Alphaville, que ainda não foram construídos. 

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ANDRÉIA SADI
ENVIADA ESPECIAL A PORTO ALEGRE
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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