segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Para aliados de Dilma, Marina representa maior perigo eleitoral e segundo turno se tornou inevitável


Imagem: Nelson Almeida / AFP
Substituição de Campos por Marina mudou o quadro eleitoral e ampliou a preocupação da candidatura de Dilma Rousseff, que busca reeleição


Dos aliados aos opositores, é consenso que a morte de Eduardo Campos e o ingresso de Marina Silva na cabeça da chapa presidencial do PSB alteraram a disputa eleitoral, determinando inevitavelmente um segundo turno e ameaçando o projeto de mais uma reeleição do PT. A avaliação geral é de que Marina e Aécio Neves (PSDB) irão travar uma acirrada disputa por vaga no segundo turno com Dilma Rousseff. Entre os aliados do PT, a análise é de que a ambientalista Marina é uma adversária mais perigosa.

— O que se diz é que Marina tem penetração muito grande nas camadas médias e também entre as populares, para cima e para baixo. Teoricamente, no enfrentamento com Dilma, ela poderia oferecer maior resistência, mais dificuldades do que o Aécio, que, do ponto de vista da base social, agrega mais entre a camada média e alta do Sudeste e do Sul — analisou o presidente nacional do PC do B, Renato Rabelo (SP), um dos aliados mais fiéis do PT.

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Entre petistas, existe a avaliação de que a candidatura de Marina irá forçar o partido a rever a agenda política a ser apresentada na campanha para evitar a perda de eleitorado.

— Do ponto de vista eleitoral, me parece que Marina vai crescer e vai produzir um segundo turno. É uma mudança que tem de ser muito bem observada. A mudança de agenda ocorre porque Marina transita muito fortemente em temas urbanos, da juventude e do meio ambiente. Isso vai vir com mais força no debate eleitoral a partir de agora e requer uma calibragem da nossa parte — afirmou o deputado federal Paulo Teixeira (SP), membro da executiva nacional do PT.

As preocupações com o novo cenário se estendem a todos os partidos aliados de Dilma. Para o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, "Marina tem um capital eleitoral maior do que Aécio". Ele pondera que o adversário no segundo turno não está decidido porque o tucano "tem maior força nos palanques estaduais".

Ainda há o incremento emocional que a morte de Eduardo Campos causou, podendo gerar reflexos na eleição presidencial. Para o senador Randolfe Rodrigues (PSol-AP), o velório de Campos, que levou uma multidão ao Palácio do Campo das Princesas, em Recife, marcou o "nascimento de um mito pela circunstância trágica e pela singularidade do episódio", considerando que foi a primeira vez que um presidenciável morreu em campanha. A comoção, acredita Randolfe, poderá influenciar o processo, embora ele torça para que o debate gire em torno do futuro do Brasil.

— A eleição, conforme estava desenhada até quarta-feira, acabou. Agora se inicia uma nova eleição. E, se havia alguma dúvida sobre segundo turno, hoje eu tenho certeza de que ele é inevitável. Aí daquele que subestimar esse novo cenário pela densidade da Marina e pela circunstância da tragédia — avaliou o parlamentar.

Entre os aliados de Dilma, existe um temor em relação aos boatos que passaram a circular nas redes sociais, levantando suspeitas sobre o acidente que vitimou Campos, estabelecendo possíveis ligações com o governo federal. Em Pernambuco, é comum ouvir populares repetindo boatos. Neste domingo, ao chegar ao velório, a presidente Dilma Rousseff chegou a ser vaiada por parte do público. Logo depois, outros reagiram com aplausos. Também são corriqueiros os gritos de "justiça" em Recife. No velório, eles foram muito frequentes.

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— Vão se criando distorções dos fatos, teorias da conspiração sobre o acidente. Isso é muito ruim para a família. Como vai se colocar isso como responsabilidade da presidenta? É um absurdo. Isso é uma provocação que tem objetivo político e eleitoral. Isso é rasteiro, desumano e absurdo — protestou a deputada federal Jandira Feghali (PC do B-RJ).

Carlos Rollsing, de Recife
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Editado por Folha Política
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