quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Requião usava a estrutura do governo para cuidar de seus cavalos; custo pode ser maior que R$ 8 milhões


Imagem: Jorge Woll / Divulgação
A estrutura do governo do Paraná foi utilizada para a manutenção de cavalos do senador Roberto Requião, candidato do PMDB ao governo estadual – indicam documentos de inquérito da Polícia Militar. O Ministério Público do Estado também investiga o caso. 

O emprego da estrutura da PM para cuidados e transporte de 88 animais, de raças como mangalarga e quarto de milha e nomes como "Lambão", "Boate" e "Monarca", ocorreu na gestão de Requião no Paraná, de 2003 a 2010. 

Considerando o custo mensal de manutenção de cada cavalo (R$ 1.000 a R$ 1.500), o gasto com os animais do senador pode ter superado o valor de R$ 8 milhões. 

Procurado, Requião não comentou o caso. Ao jornal "Gazeta do Povo" a defesa de Requião negou irregularidades e disse que os animais eram usados em policiamento. 

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Segundo o inquérito, aberto em maio, o regimento da polícia era "responsável direto pelos cuidados, trato e manejo" dos cavalos. 

Um oficial ouvido no inquérito disse à reportagem, sob condição de anonimato, que cavalos de prefeitos, deputados e amigos de Requião também eram abrigados no local. 

Segundo o oficial, as pessoas sabiam da "paixão" do ex-governador por cavalos e levavam os animais para cavalgar com ele, deixando-os depois sob cuidados do regimento de polícia montada. 

Informes oficiais mostram que animais do ex-governador foram atendidos por veterinários pagos pelo Estado até durante a madrugada. 

Num ofício do comandante da polícia montada, de março de 2010, ele demonstrava preocupação com ordem emitida "pelo próprio governador" para transportar seus cavalos a "determinada fazenda" em Goiás. 

A justificativa para o acesso dos animais aos haras oficiais é que seriam doados à corporação. Segundo o oficial ouvido pela reportagem, alguns animais foram usados em patrulhamento e desfiles. 

Animais mais velhos ou com problemas de saúde foram efetivamente doados à corporação -o inquérito registra a doação de nove cavalos por Requião e 22 por uma empresa de Francisco Simeão, suplente do senador. 

OUTRO LADO 

A assessoria e a defesa de Roberto Requião informaram que não irão se manifestar sobre uso de recursos públicos na manutenção dos cavalos. 

Ao jornal "Gazeta do Povo" o advogado Luiz Fernando Delazari, assessor jurídico de Requião, disse que o total de cavalos do senador sob cuidados da PM era inferior a 88, mas não precisou o número. 

Afirmou ainda que não houve irregularidade, porque os animais eram empregados em atividades da PM. 

A PM do Paraná informou que não comentará o caso.

Carlos Ohara
Folha de S. Paulo
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