sábado, 2 de agosto de 2014

Revista revela vídeo que mostra fraude na CPI da Petrobrás, para não punir corruptos


Imagem: Reprodução

Segundo a denúncia exclusiva da revista Veja, a CPI da Petrobras foi criada com o objetivo de não pegar os envolvidos acusados de corrupção. Ainda assim, o governo e a liderança do PT decidiram não correr riscos e montaram uma fraude que consistia em passar antes aos investigados as perguntas que lhes seriam feitas pelos senadores. Com vinte minutos de duração, segundo a revista, o vídeo mostra uma reunião entre o chefe do escritório da Petrobrás em Brasília, José Eduardo Sobral Barrocas, o advogado da empresa Bruno Ferreira e um terceiro personagem ainda desconhecido.

A decupagem do vídeo divulgado pela Revista Veja mostra que o encontro foi registrado por alguém que participava da reunião ou estava na sala enquanto ela ocorria. A revista descobriu que a gravação foi feita com uma caneta dotada de uma microcâmera. De acordo com a publicação, quem assiste ao vídeo do começo ao fim percebe claramente o que está sendo tramado naquela sala. Segundo a revista, a fraude consistia em obter dos parlamentares da CPI da Petrobrás as perguntas que eles fariam aos investigados e, de posse delas, treiná-los para responder a elas.

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O depoimento de Nestor Cerveró se contradiz com o que foi revelado pelo vídeo, segundo a Veja. Depois que o ex-presidente Lula mandou o ex-presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli parar de confrontar a presidente Dilma Rousseff, Cerveró se tornou o principal motivo de apreensão do governo porque ameaçara desmentir a presidente diante dos parlamentares. Essa ameaça jamais se consumou. No vídeo, uma das falas de Barrocas desfaz o mistério: ele insista em saber se estava tudo certo para que chegassem às mãos de Cerveró as perguntas que lhe seriam feitas na CPI.

Outros personagens citados como peças-chave da transação são Paulo Argenta, assessor especial da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República; Marco Rogério de Souza, assessor da liderança do governo no Senado; e Carlos Hetzel, assessor da liderança do PT. De acordo com a denúncia, a eles coube fazer muitas das perguntas que alimentariam a cadeia de ilegalidades entre investigados e investigadores. Barrocas conta também que o senador Delcídio Amaral era peça-chave da operação para manter Cerveró sob o cabresto governista, porque o senador foi padrinho político do ex-diretor da Petrobrás.


O Estado de S. Paulo
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