sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Veja escorregões de Dilma, Aécio e Marina no debate dos presidenciáveis


Imagem: Rahel Patrasso / Xinhua
Os três principais candidatos à Presidência da República que participaram do debate da Band na noite da terça-feira (26) cometeram alguns deslizes em suas respostas e passaram informações incorretas ou imprecisas aos telespectadores.

A presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT), por exemplo, subestimou a alta da inflação no período de nove anos para cá.

Já o candidato tucano, Aécio Neves, disse que reduziu o número de secretarias do governo de Minas Gerais em uma proporção maior do que a que efetivamente realizou.
 
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Marina Silva (PSB), que optou pelo uso mais frequente de afirmações genéricas, sem citar cifras e números específicos, quando o fez, escorregou, em relação ao número de homicídios por ano no país.

Veja, abaixo, as principais incorreções cometidas pelos presidenciáveis no debate da Band.

Dilma Rousseff

"Nós mantivemos a inflação onde esteve nos últimos 9 anos"

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística), a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) há nove anos, de agosto de 2005 a julho de 2006, foi de 3,97%.

De agosto de 2013 a julho de 2014, o índice atingiu 6,5%, o que representa um crescimento de 63,7%. A média anual de inflação de 2005 a 2014, medida no acumulado de agosto a julho do ano seguinte, ficou em 5,3%.

Isso quer dizer que a inflação nos últimos 12 meses, até julho deste ano, foi 22,64% maior do que a média dos últimos nove anos no mesmo período.

"Fizemos o compromisso da reforma política, mas [ela] não foi aprovada no Congresso Nacional"

No dia 24 de junho de 2013, enquanto o país era varrido por uma onda de protestos de rua, Dilma apresentou ao país e ao Congresso Nacional uma proposta de reforma política.

O principal ponto era a eleição, por meio de um plebiscito, de uma Assembleia Constituinte exclusiva para votar a reforma.

Já no dia seguinte ao anúncio da proposta presidencial, entretanto, membros importantes do governo federal, como o vice-presidente Michel Temer e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, passaram a criticar a proposta, classificando-a como inconstitucional. O Planalto desistiu da medida antes mesmo de envia-la ao Congresso.

No mês seguinte, uma versão abrandada da ideia original da presidente, contendo apenas uma proposta de consulta popular sobre temas específicos da reforma, foi enviada ao Parlamento, mas não foi votada até hoje, apesar da base de apoio majoritária de que goza o governo no Congresso Nacional.

Marina Silva

"No caso da segurança pública temos um grave problema, cerca de 52 mil pessoas são assassinadas por ano por causa da violência"

A candidata não foi precisa na estatística. De acordo com o Mapa da Violência de 2012, publicado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais com o apoio da Secretaria Geral da Presidência da República, ao todo, 56.337 pessoas perderam a vida assassinadas no país, 7% a mais do que em 2011. Este é o dado estatístico mais recente publicado até hoje.

Aécio Neves

"Quando assumi o governo de Minas Gerais, reduzi em um terço o número de secretarias"

Quando o tucano assumiu o governo de Minas Gerais, em janeiro de 2003, a estrutura administrativa do Estado contava com 21 secretarias.

Aécio, então, extinguiu seis pastas, mas também criou duas novas secretarias extraordinárias, alinhadas com diretrizes do então novo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva: as secretarias extraordinárias de Reforma Agrária e de Combate à Fome.

Assim, a queda no número de secretarias foi de 19,05%, e não de 33% (um terço), como disse o candidato.

Dinheiro para saúde

Diferentemente do que havia sido publicado nesta reportagem, a afirmação de Aécio sobre recursos para saúde estarem diminuindo proporcionalmente estava correta.

Vinícius Segalla
UOL
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