sábado, 20 de setembro de 2014

Delator liga dois ex-diretores ligados ao PT à corrupção na Petrobras


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa citou nos depoimentos à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal que o esquema de desvios de recursos na estatal não era exclusividade de sua área, mas ocorria também em outras diretorias da empresa.

Segundo a Folha de S. Paulo apurou, ele mencionou ter conhecimento de irregularidades praticadas na diretoria de Serviços e na divisão internacional durante o período em que integrou a cúpula da petroleira, entre 2004 e 2012.


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
A diretoria de Serviços e Engenharia foi ocupada, à época, por Renato Duque (foto). Indicado pelo PT, ele era um dos membros do alto escalão da petroleira mais próximos da cúpula do PT no governo Luiz Inácio Lula da Silva. 

Relatos obtidos pela Folha com advogados que têm acesso a informações do processo de delação premiada de Costa dizem que o ex-diretor citou nominalmente os ex-colegas, mas não indicam se ele os incriminou diretamente.

Também não está claro se ele incluiu essas informações em seu acordo de delação, no qual é obrigado a apresentar evidências ou apontar caminhos para provar o que diz, ou se falou sobre algo que conhecia sem ter detalhes – ensejando, assim, novas apurações pela polícia e pelos procuradores da República.

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Entre as irregularidades já conhecidas que atingem as duas diretorias citadas pelo ex-diretor de Abastecimento, preso em março na Operação Lavo Jato da Polícia Federal, estão a compra da refinaria de Pasadena (EUA) e a construção da refinaria Abreu e Lima (PE).

Assim que Paulo Roberto Costa decidiu fazer a delação premiada, um dos familiares do ex-diretor disse a advogados da disposição de ele envolver ex-colegas na estatal em seu depoimento, como Duque e Cerveró. Ele disse a esses interlocutores, segundo a Folha apurou, que não iria cair sozinho.

Duque já aparece citado em outro inquérito da Polícia Federal para apurar irregularidades nos negócios da Petrobras. A polícia apura sua relação com outros funcionários da estatal suspeitos de evasão de divisas.

Alertados, amigos do ex-diretor de Serviços o procuraram. Segundo relato à Folha, Duque negou a esses interlocutores qualquer intimidade com eventuais negócios de Costa. A reportagem não conseguiu localizá-lo nesta sexta (19).

O advogado de Nestor Cerveró, Edson Ribeiro, disse que as declarações de Paulo Roberto "não têm o condão de contaminar a conduta de demais pessoas" e que, antes de acusar alguém, "é preciso apresentar provas". Ribeiro afirmou ainda que seu cliente só vai se pronunciar se for notificado oficialmente.

A Petrobras não se manifestou até a conclusão desta edição sobre o caso.

TENSÃO

O envolvimento de ex-diretores da estatal ligados ao PT no esquema revelado na delação por Paulo Roberto Costa deixou o governo Dilma em alerta e gerou tensão na equipe presidencial e na campanha da reeleição da petista.

Na versão de assessores presidenciais, que descartam a existência de riscos de envolvimento da presidente no escândalo, o temor é de que Costa queira dividir responsabilidades para atenuar as acusações contra si.

Entre os petistas, o diretor considerado mais próximo do partido era exatamente Duque, conhecido por ter boas relações com o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto.

Vaccari já foi citado nas investigações da Lava Jato e admitiu conhecer, sem precisar o relacionamento e negando irregularidades, o doleiro Alberto Youssef, apontado pela PF como cérebro financeiro do esquema de desvio de dinheiro da Petrobras. 

Andréia Sadi, Natuza Nery e Valdo Cruz
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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