sábado, 20 de setembro de 2014

Deputado Luiz Argôlo lança irmão candidato como 'plano B' e diz que não sabe por que falam dele


Imagem: Gustavo Lima / Agência Senado
Alvo da Operação Lava Jato e do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, Luiz Argôlo (SD-BA) lançou a candidatura de um irmão como "plano B", para o caso de ter o mandato cassado, e ironiza a repercussão das denúncias.

"Sou um deputado menor, não entendo por que a imprensa fala tanto de mim. Até parece que mamãe me fez no mel", afirmou à Folha.

Sem a garantia de evitar uma possível cassação no plenário da Câmara, que o tornaria inelegível, Argôlo, 34, inscreveu a candidatura do irmão Manoelito Argôlo Júnior (SD-BA) para deputado federal há cerca de três semanas.

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Ex-prefeito de Cardeal da Silva, no nordeste da Bahia, Manoelito não faz campanha. "Ele não está na disputa para valer. Registramos apenas para mostrar que tínhamos um plano B e evitar o assédio de outros candidatos sobre as nossas bases", disse Argôlo.

O deputado responde a dois processos por quebra de decoro parlamentar. É acusado de receber dinheiro e favores de Alberto Youssef e de ter usado dinheiro da Câmara para viajar e se reunir com o doleiro preso na Lava Jato.

Segundo a apuração da Polícia Federal, Argôlo trocou 1.411 mensagens por celular com Youssef em seis meses.

Ele também foi acusado pela contadora Meire Poza, que trabalhava com Youssef, de ser sócio informal do doleiro.

BOI DE PIRANHA

Em evidência desde a divulgação da operação, em março, ele comenta pouco sobre o caso, mas nega as suspeitas.

"Fui colocado como boi de piranha'. A investigação é sobre desvios na Petrobras, não tenho relação com empresas deste setor", afirmou.

Argôlo começou carreira política em 2001 como vereador pelo PFL (atual DEM) em Entre Rios (BA). Filiou-se ao PP e elegeu-se deputado estadual em 2002 e 2006. Em 2010, teve 68 mil votos e se tornou deputado federal.

O Conselho de Ética da Câmara deverá se reunir em 1º de outubro para leitura e votação do parecer que pedirá ou não a cassação de Argôlo.

Caso o parecer não seja votado em plenário até 5 de outubro, dia da eleição, e Argôlo seja eleito, o deputado federal garantirá outro período na Câmara mesmo se o atual mandato for cassado.

Segundo a Justiça Eleitoral, efeitos de inelegibilidade da Lei da Ficha Limpa valem apenas para a eleição seguinte à cassação de mandato.

"TENHO REZADO"

Argôlo afirma que não tem sido cobrado por eleitores sobre o caso e que se divide entre a campanha e as orações. "Tenho rezado muito."

Para se reeleger, conta com o apoio do governador Jaques Wagner (PT), que saiu em sua defesa num ato político em Alagoinhas (BA) em julho.

Na ocasião, o petista citou o caso Escola Base, em que donos de uma escola de São Paulo foram acusados injustamente de abuso sexual contra crianças em 1994. 

João Pedro Pitombo
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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