quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Dilma faz pouco caso de acusações de ex-diretor da Petrobras: 'poço de mágoa'


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
No Palácio do Planalto e no comitê de campanha da candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT), as declarações do ex-diretor da Petrobrás Ildo Sauer foram recebidas com reservas e pouco caso. A avaliação interna é a que as afirmações de Sauer não terão influência na campanha de Dilma porque sua palavra, avaliam os auxiliares da presidente, não tem credibilidade. 

"Ele é um poço de mágoa mais profundo que o pré-sal", afirmou um dos interlocutores da presidente, ao lembrar que toda semana o ex-dirigente procura a mídia para fazer uma acusação contra Dilma e a diretoria da empresa. "Ele está parecendo buscapé, atirando para todo lado", emendou esse interlocutor.


Em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, Sauer disse que o governo de coalizão do ex-presidente Lula permitiu que grupos de parlamentares se reunissem com dirigentes da estatal para obter "ajuda" e acusou a presidente Dilma Rousseff de "procurar um culpado sempre que aparece um problema".

O ex-diretor classificou de "piada" o argumento Dilma de que aprovou a aquisição da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), quando presidia o conselho de administração da Petrobrás, com base em um resumo executivo falho, conforme afirmado ao Estado em março. 

No governo, assessores palacianos lembram que atacar a presidente é uma forma de Sauer se livrar das acusações que pesam contra ele. Auxiliares de Dilma também não acreditam que esse tipo de ataque possa atingir a imagem da petista, ainda mais que outros diretores concordaram que o resumo preparado para a diretoria da Petrobrás para a aprovação de Pasadena foi, de fato, falho e omisso em vários pontos.

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República não se pronunciou. 

CPI. No Congresso, o líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), defendeu a aprovação imediata de convocação, na CPI Mista da Petrobrás, do ex-diretor de Gás e Energia da estatal. "A entrevista de Ildo Sauer reforça o que já alertávamos na CPMI. O governo do PT aparelhou a maior empresa brasileira para que ela pudesse servir aos interesses escusos do PT e de seus aliados. Não é à toa que a empresa sofreu enormes prejuízos e perdeu 50% de seu valor de mercado desde 2010. O depoimento dele na CPMI é fundamental para que possamos esmiuçar os bastidores da interferência política dentro da Petrobrás", disse o líder do PPS, em nota, ao classificar como graves as acusações dele. 

Tânia Monteiro, Rafael Moraes Moura e Ricardo Brito 
O Estado de S. Paulo
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