terça-feira, 30 de setembro de 2014

Para negar ‘choque fiscal’, Dilma usa dados errados sobre dívida pública


Imagem: Reprodução / Veja
A presidente e candidata Dilma Rousseff se valeu de dados errados sobre a dívida pública para negar a necessidade de um “choque fiscal”, ou seja, de um corte amplo e imediato nos gastos do governo.

Na argumentação da petista, a medida é desnecessária porque o governo brasileiro teria uma das menores dívidas do mundo, como proporção da economia do país.


“O Brasil tem uma das menores dívidas líquidas sobre Produto Interno Bruto do mundo, 34%. Todo o resto do mundo, tirando uns seis países, tem dívidas líquidas acima de 100% ou perto de 100%”, disse Dilma nesta quinta (25).

A dívida pública líquida - ou seja, descontando os valores dos créditos que os governos têm a receber - brasileira equivale a 35,1% do PIB, segundo os dados de julho do Banco Central. É na comparação com o resto do mundo que a presidente comete o equívoco mais grosseiro.

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Dívida líquida é um conceito pouco utilizado na economia global. Na base de dados do FMI (Fundo Monetário Internacional), apenas 99 países calculam o indicador. Desses, 41 têm dívida igual ou menor que a do Brasil.

E apenas 9 têm dívida na casa dos 100% do PIB ou mais: Antígua e Barbuda, Cabo Verde, Grécia, Granada, Irlanda, Itália, Japão, Líbano e Portugal.

O conceito mais utilizado internacionalmente é o de dívida bruta (total), para o qual o FMI tem dados sobre 178 países. Nessa lista, são 16 os que têm dívida semelhante ou superior ao PIB. A brasileira, estimada em 66,7%, é a maior entre os principais emergentes.

Informações erradas à parte, o arrazoado de Dilma omite que o mais preocupante na dívida pública do país não é o tamanho - é o custo.

União, Estados e municípios pagam a cada ano o equivalente a 5% do PIB em juros, uma proporção raríssima no mundo. Levantamento com dados de 2011 apontou que só Grécia e Líbano pagavam mais em encargos da dívida pública.

As taxas de juros no Brasil estão entre as mais altas do mundo desde os anos 90.  O governo Dilma chegou a reduzir a taxa do Banco Central a 7,25% ao ano, mas a alta da inflação fez os juros subirem até os atuais 11%.

Dinheiro Público & Cia
Editado por Folha Política
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