quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Propinas na Petrobras podem ter chegado a R$ 3,4 bilhões


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
A Petrobras, em sua área de abastecimentos, investiu R$ 112,39 bilhões entre maio de 2004 e abril de 2012, período em que foi administrada por Paulo Roberto Costa, acusado de participar de um esquema de corrupção na estatal. Nesses oito anos foram desembolsados R$ 108,13 bilhões, que foram gastos no país e R$ 4,26 bilhões no exterior – já incluídos os aportes referentes à aquisição da refinaria de Pasadena, nos EUA. O levantamento foi feito com base nos balanços divulgados pela empresa.

Segundo Costa declarou à Polícia Federal, uma suposta comissão era cobrada sobre uma fatia de 3%, chegando a R$ 3,37 bilhões. Esse percentual seria da propina paga a políticos por empreiteiras e empresas sobre os valores dos contratos firmados com a Petrobras. Costa concordou em denunciar o esquema, em troca da delação premiada, que prevê a redução de pena e até mesmo a anulação dela, se o réu colaborar em todos os sentidos na investigação, inclusive provando tudo o que for delatado.

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Os aportes das áreas de abastecimento, que reúne as refinarias da estatal, representam 27,8% dos investimentos totais de R$ 403 bilhões feitos pela Petrobras nesses oito anos, ficando atrás apenas dos desembolsos na área de exploração e produção de petróleo. O cálculo leve em conta apenas os investimentos.

Costa está preso preventivamente e é réu em processos criminais por lavagem de dinheiro, evasão de divisas, formação de quadrilha e ainda por integrar organização criminosa com vista à aquisição de contratos milionários junto ao governo federal, relatam os autos em trâmite na Justiça Federal de Curitiba e a acusação formal do MPF.

O Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) do Ministério da Justiça deverá buscar a repatriação de US$ 28 milhões enviados do Brasil à Suíça. Segundo o Ministério Público suíço, foram identificadas contas bancárias de empresas e familiares de Costa que movimentaram os recursos, dos quais US$ 23 milhões seriam diretamente controlados pelo ex-diretor, aponta a investigação. A descoberta do dinheiro motivou a segunda prisão preventiva do ex-diretor da Petrobras, cumprida em 11 de junho por haver “risco iminente de fuga”, segundo a Justiça.

A colaboração premiada será dividida, depois de formalizada pela força-tarefa do MP, em Curitiba. Parte ficará na esfera do juízo federal de primeira instância. Já a peça envolvendo políticos e servidores com prerrogativa de foro ou função será remetida ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Caberá a ele encaminhar parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a delação proposta pela defesa de Costa.

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