sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Renan Calheiros é citado em depoimentos de delator da Operação Lava Jato


Imagem: Reprodução / Estadão
O nome do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi mencionado pelo ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa em depoimentos prestados à Justiça na tentativa de conseguir o perdão judicial por meio da delação premiada. A empresa UTC Engenharia também foi citada pelo ex-executivo como integrante do esquema que desviou recursos de contratos bilionários da Petrobrás. As empresas ganhariam os contratos em troca de pagar propina de 3% para deputados e senadores, conforme antecipado pelo portal do jornal O Estado de S. Paulo na tarde desta sexta-feira, 5. 
O Estado apurou que um dos negócios mencionados envolvendo Renan é um acerto com o doleiro Alberto Youssef para que o Postalis comprasse R$ 50 milhões emitidos da Marsans Viagens e Turismo, que tinha Youssef como um dos investidores. O doleiro teria se reunido com Renan, em Brasília, no início de março, para acertar a comissão do PMDB nesse negócio. O fundo de pensão dos Correios é controlado pelo PMDB e PT. O negócio não ocorreu porque estava em curso quando Youssef e Costa foram presos. A empresa fechou após as prisões. A assessoria de Renan afirmou que não localizou o senador para comentar o assunto. A UTC Engenharia também não respondeu até o momento os questionamentos da reportagem.

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Citados. No início das investigações, foram citados nomes de vários parlamentares e partidos supostamente envolvidos no esquema de corrupção. Entre eles, o tesoureiro do PT, João Vaccari, os deputados André Vargas (sem partido-DF), Luiz Argolo (SD-BA) e o senador Fernando Collor (PTB-AL). O portal do Estado revelou nesta sexta-feira que o ex-diretor da Petrobrás envolveu 32 deputados e senadores e um governador de cinco partidos políticos que receberiam 3% de propina em negócios com contratos da Petrobrás durante sua gestão na diretoria de abastecimento da empresa (clique aqui para ler). Desde sexta-feira passada, 29, Costa está prestando depoimentos diários que se estenderam por toda semana numa tentativa de conseguir o perdão judicial por meio da delação premiada.

O Estado apurou que Costa relatou aos policiais a formação de um cartel de partidos políticos que atuavam para desviar recursos da Petrobrás por meio de comissões em contratos arranjados. E exemplificou: "Todo dia tinha político batendo na minha porta". Num dos depoimentos, ele citou uma conta de um "operador do PMDB" em um banco europeu.

Costa contou que os desvios nos contratos da Petrobrás envolveriam desde o funcionário do terceiro escalão até a cúpula da empresa, durante sua gestão na diretoria de Abastecimento. O ex-executivo também citou nomes de empreiteiras que conseguiram os contratos. Inicialmente seu alvo foram as empresas, mas não havia como isentar os políticos, uma vez que foram beneficiados com propinas. Por causa da citação aos políticos, que têm foro privilegiado, os depoimentos estão sendo enviados para a Procuradoria-Geral da República.

O Estado apurou que o acordo de delação premiada assinado por Costa prevê praticamente o perdão judicial. A pena será mínima perto dos 50 anos que poderia pegar se responder aos processos. Ele deve ficar um ano usando tornozeleira eletrônica, em casa, no Rio, sem poder sair na rua.

Depoimentos. Os depoimentos têm sido longos. No primeiro dia duraram mais de quatro horas. Pessoas que estiveram com ele dizem que esta exausto, mas se diz aliviado. O ex-executivo teria demonstrado preocupação apenas quando soube que a imprensa noticiou a delação premiada. Seu temor é se tornar um "arquivo vivo". São horas de relatos, acompanhados de um advogado, um delegado e um membro do Ministério Público.

Os depoimentos são todos filmados e tomados em uma sala na Custódia da PF. Ao final de cada dia, são lacrados e criptografados pelo MPF, que os envia diretamente para a PGR que mandou emissário a Curitiba no início do processo de delação.

O doleiro Alberto Youssef, também preso acusado de ser um dos cabeças do esquema desbaratado pela Lava Jato, também tentou negociar com o MP uma nova delação premiada (ele fez a primeira no caso do Banestado), mas o advogado o demoveu porque pegaria pelo menos 3 anos de prisão, em regime fechado.

Andreza Matais, Ricardo Brito e Fábio Brandt 
O Estado de S. Paulo
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