domingo, 5 de outubro de 2014

Aécio faz aceno a Marina e diz que é hora de 'unir forças'


Imagem: Joel Silva / Folhapress
Em uma virada inédita na história do Brasil desde a redemocratização, o candidato do PSDB ao Planalto, Aécio Neves, disputará o segundo turno das eleições contra a presidente Dilma Rousseff (PT), depois de aparecer a 20 pontos percentuais de distância das principais adversárias na corrida eleitoral.


O tucano teve quase 34% dos votos válidos, superando a marca de José Serra (SP), que concorreu pelo partido em 2010, e passou para a segunda fase da corrida eleitoral com cerca de 32,6%. Em pronunciamento após o resultado, na noite deste domingo (5), fez um aceno à ex-senadora Marina Silva, que concorreu pelo PSB e, durante quase toda a campanha, manteve Aécio no terceiro lugar das intenções de voto.

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"É hora de unirmos as forças. A minha candidatura não é mais uma candidatura de um partido político, de um conjunto de alianças. É um sentimento mais puro de todos os brasileiros que ainda têm a capacidade de se indignar e principalmente de sonhar. Portanto vamos acreditar que é possível dar ao Brasil um governo que una decência e eficiência."

Aécio disse não ter conversado com Marina e não quis especular sobre a posição da pessebista. Afirmou ter um respeito profundo pela adversária e, em outro gesto a ela, disse que todas as forças que quiserem se somar à sua caminhada "serão bem-vindas".

O tucano fez críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT), sua adversária na fase final da eleição, e disse que ela perdeu a oportunidade de entregar um país melhor aos brasileiros. "A minha primeira constatação é de que esse sentimento de mudança amplamente presente no Brasil já foi vitorioso no primeiro turno. Os candidatos de oposição somados foram vitoriosos, tiveram a maioria dos votos. É isso que nós temos que buscar agora no segundo turno", disse.

Por fim, ponderou que sua candidatura não é contra ninguém, "mas a favor do Brasil".

Aécio falou no comitê de sua campanha, onde dezenas de apoiadores o aguardavam. Ele saiu do local carregado. Ele votou na capital mineira pela manhã e aguardou a apuração em seu apartamento, na zona sul da cidade.

TRAJETÓRIA DE CAMPANHA

Ex-governador de Minas e senador pelo Estado, o tucano foi escolhido candidato depois de isolar concorrentes internos do partido e garantir a unidade em torno de seu nome. Ele foi anunciado oficialmente como o nome do PSDB para o Planalto em junho deste ano. Na época, os principais líderes da sigla diziam que Aécio era a melhor aposta da oposição para tirar o PT do poder desde 2002, quando o ex-presidente Lula venceu as eleições.

Poucos dias antes da estreia do propaganda eleitoral na TV, Aécio sofreu um revés. Viu seu favoritismo desmoronar quando o ex-governador Eduardo Campos (PE), então candidato do PSB à Presidência, morreu em um acidente aéreo em 13 de agosto.

Amigo do adversário, Aécio fez uma homenagem ao pernambucano neste domingo, após o resultado do primeiro turno. Disse que honrará os sonhos e os ideais de Campos.

A tragédia com Campos trouxe à cena a ex-senadora Marina Silva, que era vice na chapa do PSB e assumiu a candidatura. Rapidamente, Marina despontou nas pesquisas e isolou Aécio na terceira colocação. O tucano perdeu terreno para a pessebista em colégios eleitorais importantes, como São Paulo e Minas Gerais, seu berço político.

O cenário fez que ele tivesse que lidar com defecções em sua coligação e projeções constrangedoras de um segundo turno entre Dilma e Marina, a cerca de um mês da eleição.

Analistas políticos deram a candidatura de Aécio como caso perdido e pipocaram rumores de que ele poderia abandonar a campanha. Irritado, Aécio o tucano chamou as projeções de "burrice" e disse aos aliados que voltaria a crescer a partir do dia 15 de setembro. Pediu "sangue frio" e "serenidade" aos apoiadores.

Extremamente pragmático e calculista, montou um cronograma na cabeça: na última semana da campanha, empataria com Marina "na casa dos 23%". Para isso, a 15 dias da eleição, calculava que precisava recuperar cinco pontos percentuais em São Paulo (acabou com mais de 40% dos votos no Estado), chegar a cerca de 38% dos votos em Minas Gerais, e retomar o patamar de 15% dos votos no Rio. "A região Sul vai voltar para a gente antes", previa.

O cronograma se cumpriu. Aécio avançou lentamente, enquanto Marina, sob ataques do PT e do próprio tucano –ele explorou na TV o vínculo de mais de 20 anos da ex-senadora com o petismo– começou a perder votos.

Em recuperação, apostou todas as fichas em seu desempenho nos dois últimos debates, promovidos pela TV Record e pela TV Globo. A desenvoltura com que se apresentou na Globo, na última quinta-feira (2) foi considerada por seus aliados como principal ingrediente para a arrancada do tucano na reta final da eleição.

"Todos os números em qualquer parte do Brasil ficaram muito acima das melhores expectativa, inclusive dos institutos de pesquisas", comemorou. 

Daniela Lima e Fernanda Odilla
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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