sábado, 11 de outubro de 2014

Dilma diz que oposição usa caso Petrobras para dar 'golpe' no país


Imagem: Ueslei Marcelino/Reuters
Em discurso na tarde desta sexta-feira (10) em Canoas (RS), a presidente Dilma Rousseff acusou a oposição de usar as investigações da Petrobras para dar um golpe no país.

"Eles [oposição] jamais investigaram, jamais puniram, jamais procuraram acabar com esse crime terrível que é o crime da corrupção", disse Dilma.

"Agora, na véspera eleitoral, sempre querem dar um golpe. E estão dando um golpe. Esse golpe nós não podemos concordar", completou a petista, diante de aplausos dos presentes no evento, entre eles moradores e militantes do PT.

Ao falar em "golpe", Dilma remete às inúmeras declarações do ex-presidente Lula sobre o mensalão. O petista repetiu por anos que a "elite tentou dar um golpe em 2005", numa referência ao escândalo revelado pela Folha no segundo ano de seu primeiro mandato no Palácio do Planalto (2003-2010).

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Dilma discursou de improviso em cima de uma caminhonete adaptada com sistema de som, após uma caminhada por uma bairro da periferia da cidade, na região metropolitana de Porto Alegre e administrada pelo PT.

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Na fala de cerca de dez minutos, ela repetiu parte do que já havia dito no início da tarde em entrevista em Brasília, quando atacou o que chamou de uso eleitoral do processo de investigação da Petrobras.

Na entrevista em Brasília, ela criticou a divulgação de depoimentos sobre corrupção na estatal e afirmou que esses papéis não devem ser usados "de forma leviana em períodos eleitorais".

Na quinta-feira (9), o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef depuseram à Justiça Federal no Paraná e deram detalhes sobre o desvio de recursos da Petrobras, que, segundo Costa, serviria para abastecer PT, PP e PMDB.

No Rio Grande do Sul, no final da tarde, a presidente voltou ao tema e fez uma referência direta à divulgação dos depoimentos sobre o processo envolvendo a Petrobras.

"Somos aqueles que combateram a corrupção doa a quem doer. Um combate duríssimo. Por isso que nós não concordamos com o uso eleitoreiro de processos de investigação que nós começamos, que nós desenvolvemos."

A presidente disse que a Polícia Federal passou a ser "um órgão de investigação" somente a partir dos governos petistas.

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"É bom lembrar como é que era o Brasil antes de nós. Quem era nos últimos quatro anos do [governo do] PSDB o diretor-geral da Polícia Federal? Era aparelhado, era um militante filiado do PSDB. Eles aparelharam a Polícia Federal." Por isso, disse Dilma, a PF "investigou pouco" e "descobriu pouco" naquela época.

À vontade, Dilma permaneceu parte do discurso debruçada sobre o parapeito da caminhonete.

Em sua fala, tentou explicar à população as atribuições de um procurador-geral da República e novamente disse que no governo anterior havia um "engavetador-geral". Moradores entregaram flores à petista e a assediaram para tirar fotos.

Em discurso antes da presidente, o governador petista Tarso Genro, que tenta a reeleição no segundo turno, também fez referência ao assunto.

"Não pensem eles que nós nos intimidamos com a manipulação que eles fazem da informação contra a nossa presidenta, contra a nossa frente política." O petista disse que os militantes estão "talhados" para enfrentamentos desse tipo.

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ELEIÇÃO GAÚCHA

A visita ao Rio Grande do Sul foi o primeiro ato da campanha do PT no segundo turno fora do Nordeste, onde a presidente concentrou atividades nos últimos dias.

A atenção ao eleitorado gaúcho tem relação com o segundo turno da eleição local: Tarso Genro tem a difícil tarefa de reverter a vantagem que o peemedebista José Ivo Sartori obteve na primeira votação.

Sartori já anunciou apoio a Aécio Neves (PSDB), adversário de Dilma na corrida ao Planalto.

No Estado, onde a mineira presidente começou sua carreira política, o PT tinha a expectativa de conseguir uma vantagem expressiva no primeiro turno da eleição para presidente, como era previsto pelas pesquisas.

O resultado final da votação, porém, mostrou Dilma quase empatada com Aécio no Rio Grande do Sul: 43% para petista e 41% para o tucano.

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FELIPE BACHTOLD

DE PORTO ALEGRE
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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