terça-feira, 28 de outubro de 2014

Ex-segurança de Fidel Castro diz que Cuba ajudou a campanha do PT


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
De 1977 a 1994, Juan Reinaldo Sánchez foi membro da elite do serviço de inteligência cubano e guarda-costas do ditador cubano Fidel Castro. Nas viagens internacionais, era ele quem fazia o trabalho de contraespionagem da comitiva de Fidel. Do exílio em Miami, Sánchez falou ao editor Leonardo Coutinho sobre um tema não incluído em seu recém-lançado livro A Vida Secreta de Fidel: as relações do PT com o regime cubano.


Quando o senhor conheceu Luiz Inácio Lula da Silva?
Foi em 1989, no Palácio da Revolução, na antessala do despacho de Fidel. Manuel Pineiro, então chefe da Direção-Geral de Inteligência, apresentou Lula para mim e para os demais guardas. Pineiro disse: "Lula da Silva será o futuro presidente do Brasil".

O senhor acompanhou todo o encontro entre Fidel e Lula? O que foi discutido?
Sim, eu estava presente. A conversa era sobre o apoio que Cuba, por meio do Departamento América do Comitê Central do Partido Comunista, daria à campanha de Lula à Presidência do Brasil. Não sei se foi enviado dinheiro. O que foi acertado, e disso eu tenho certeza, foi o envio, para o Brasil, de agentes cubanos capazes de garantir a segurança das comunicações da campanha e também de espionar as dos adversários. Esses agentes faziam espionagem e contraespionagem para conseguir informações com o objetivo de influenciar a eleição. É evidente que isso custou dinheiro a Cuba. Não sei se eles atuaram nas outras disputas eleitorais brasileiras.

Em 2005, VEJA revelou que a campanha de Lula, em 2002, recebeu 3 milhões de dólares vindos de Cuba. O senhor sabe algo sobre isso?
Eu não trabalhava mais na guarda pessoal de Fidel nesse ano. Mas, conhecendo a maneira de atuar do governo cubano, o mais plausível é que o regime tenha servido apenas de ponte, angariando recursos junto a outros países da região. Nessa fase, Cuba já não tinha condições financeiras de ajudar na campanha de Lula.

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Os médicos que Cuba enviou ao Brasil atuam como espiões do regime?
Sim, sempre foi assim. Segundo o conceito da inteligência cubana, todo cidadão que sai em missão fora do país, seja diplomática, seja de cooperação, tem como tarefa a busca de informações sensíveis ao governo cubano.
Antes de partir, os médicos recebem treinamento de dois oficiais, um da inteligência e outro da contrainteligência. Quando chegam ao país de destino, há um coordenador a quem eles devem se reportar. Na Venezuela, por exemplo, os médicos cubanos que visitam a casa dos pacientes devem atentar para a orientação política da família. Como fazem isso? Observam se há fotos de Hugo Chávez na parede ou se os moradores reclamam do governo. Esses detalhes são incluídos em relatórios enviados ao coordenador. Posteriormente, essas informações permitem à inteligência cubana determinar as características ideológicas de determinadas áreas ou bairros. Os médicos também são orientados a delatar os colegas que ameaçam fugir.

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Editado por Folha Política
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