domingo, 5 de outubro de 2014

No 2º turno, Aécio será o candidato mais difícil para Dilma


Imagem: Reprodução
Pelas projeções divulgadas na véspera da votação, Dilma Rousseff (PT) larga com seis pontos de vantagem em relação ao tucano Aécio Neves na disputa do segundo turno. É pouco. No limite da margem de erro, é uma distância semelhante à apurada em uma eventual disputa com Marina Silva (PSB): 55% a 45%. Nas últimas semanas, o estafe petista dizia ser indiferente o nome do concorrente nesta fase da campanha. Não deveria: Aécio, que encerrou o primeiro turno com 35% dos votos, é hoje um candidato muito mais forte do que a ex-ministra do Meio Ambiente, que teve 21%. A presidenta encerrou a primeira fase com 40%

O mineiro chega à etapa seguinte da campanha em trajetória ascendente após passar quase dois meses na rabeira. Ele desbancou Marina Silva e se firmou como o candidato anti-Dilma em um momento em que a rejeição à presidenta beira os 35%. A rejeição a Marina na reta final era de 25%, contra 10% do período anterior à megaexposição. Aécio esteve sempre próximo de 21%.


A diferença nas taxas de rejeição é um primeiro trunfo do senador sobre a presidenta nesta largada. Em relação a Marina Silva, o tucano leva outras vantagens. Em São Paulo e no Paraná, por exemplo, os governadores reeleitos do PSDB poderão se dedicar com tempo à campanha presidencial. O mesmo ocorre na bancada de senadores e deputados eleitos da legenda. O PSDB, portanto, possui mais base e mais estrutura do que teria o PSB de Marina Silva – ou a parte da legenda que ainda a apoiava. Exemplo disso é que o partido da ex-senadora, que em 2010 elegeu seis governadores, até agora só garantiu vitória em Pernambuco, terra de Eduardo Campos. Nos demais, ou foi derrotado ou terá de suar no segundo turno.

Aécio é também um candidato mais calejado que Marina. O atual senador já foi líder de governo na Câmara e governador de Minas em duas ocasiões. Marina já foi senadora, presidenciável e ministra, mas, na reta final da campanha, mostrou fragilidade e abatimento, enquanto o ex-governador mineiro demonstrava sangue frio. Marina começou a perder votos à medida que a campanha petista apontava seu Calcanhar de Arquiles: a fama de candidata vacilante após ela mudar de posição em temas polêmicos como a criminalização da homofobia. O Calcanhar de Aquiles de Aécio ainda precisará ser descoberto – o aeroporto na fazenda do tio, construído com dinheiro público, não era uma bala de prata.

À primeira vista, é possível supor que a maior parte dos votos da ex-senadora migre para Aécio, com ou sem o apoio formal dela. Mas ainda é cedo para dizer. É possível que parte do eleitorado da ex-petista tenha menos rejeição ao PT do que ao PSDB. Este movimento ainda precisará ser analisado nos próximos dias.

Em compensação, Aécio terá mais dificuldade do que Marina para se apresentar como representante da nova política, uma demanda captada pelas ruas e vocacionada nas pesquisas de intenção de voto.

A não ser que um dos candidatos se desvie do “debate do retrovisor”, a eleição deverá centrar-se, a partir de agora, menos sobre as metas até 2018 e mais sobre o histórico de serviços prestados pelos partidos de cada um entre 1994 e 2004. A segunda fase da eleição será a fase do “quem fez mais, quem fez menos”. Nos últimos anos, os ventos da economia eram favoráveis e o PT, ainda dependente do ex-presidente Lula, conseguiu prorrogar o mandato. Dessa vez os números já não são incontestes. É ali que o adversário tucano pode crescer.

Matheus Pichonelli 
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