sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Ao associar empreiteiros à oposição, imprensa faz o trabalho do petismo, diz Reinaldo Azevedo


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Com a prisão de executivos de grandes empreiteiras, começaram a surgir informações sobre doações das empresas a políticos de todos os partidos. Reinaldo Azevedo chama a atenção para a confusão entre doações legais e propinas, e marca a diferença entre pagar a quem tem poder sobre os contratos e dar dinheiro a quem não tem poder de decisão. Para Azevedo, noticiar as doações legais de campanha como se fossem propina é apenas fazer o jogo do PT. 
Leia abaixo o texto de Reinaldo Azevedo: 
No dia em que morre Márcio Thomaz Bastos, o binômio “financiamento de campanha-corrupção” assume a sua face mais estúpida, tendente a juntar no mesmo saco de gatos inocentes e culpados. Por que cito Bastos? Porque lhe foi atribuída a autoria da tese de que o mensalão era “só” caixa dois eleitoral. Não foi ele que imaginou a “saída”, mas Arnaldo Malheiros, defensor de Delúbio Soares. Adiante.
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Pautados pelo PT, setores da imprensa agora resolveram misturar alhos com bugalhos, privilegiando, claro!, os bugalhos. Informa-se que empresas sob investigação na Lava Jato fizeram doações ao PP, ao PT e ao PMDB, partidos diretamente envolvidos nas lambanças da Petrobras. Mas também nomes da oposição figuram entre os que receberam doações legais. E daí?
As doações não eram legais? Eram! Os políticos, governistas ou de oposição, deveriam tê-las recusado? A resposta, obviamente, é “não”. Queriam o quê? “Ah, não, o seu dinheiro, não. Você ainda será alvo de uma operação da Polícia Federal”.
Tenham paciência!
Eis aí no que dá misturar os canais. Digam-me: o que fazem nomes de oposição em certas notícias, ainda que no rodapé? Por acaso podiam mexer os pauzinhos na Petrobras? Tinham como garantir contratos? Eram influentes junto a Renato Duque ou a Nestor Cerveró? Mandavam no engenheiro Pedro Barusco?
Certamente há desvio de dinheiro para campanhas eleitorais, sim. Mas é coisa de energúmenos considerar que as empreiteiras estão recuperando o que doaram. Quer dizer que, se não doarem mais, depois da decisão burra a ser tomada pelo STF, não haverá mais extorsão?
A imprensa está caindo na cilada de achar que, de fato, tudo não passa de um mecanismo de compensações: “Tome a doação, que pego a grana mais tarde”. Fosse assim, as empreiteiras doariam também à oposição por quê?
Há coisas que são co-ocorrentes, sem que haja entre elas uma relação de causa e efeito. Com ou sem doações a campanhas, empreiteiras continuarão a enfrentar, em empresas públicas e ministérios, larápios dispostos a criar dificuldades para vender facilidades. E é aí que os crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e extorsão acontecem. Se empresas doassem só com o propósito de obter vantagem depois, financiariam apenas os que realmente têm chances de chegar lá.
Os magos petistas já estão operando o jornalismo. Daqui a pouco, políticos de oposição serão chamados a responder pela roubalheira na Petrobras. Jornalista que cai nessa conversa está se comportando como militante petista, não importa se voluntária ou involuntariamente. Ninguém tem o direito de ser burro nessa profissão.
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Luciana Camargo 
Folha Política
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