terça-feira, 11 de novembro de 2014

Demissão de Marta Suplicy precipita saída de ministros do governo Dilma


Imagem: Pedro Ladeira / Folhapress
A saída de Marta Suplicy do Ministério da Cultura precipitou em uma semana o processo de saída coletiva dos ministros do governo Dilma Rousseff.

A pedido da Presidência, a exoneração coletiva dos ministros estava prevista para a terça-feira que vem (18), quando eles entregariam seus pedidos de demissão. A intenção de Dilma é ter liberdade para o redesenho da Esplanada.

Hoje, no entanto, a assessoria da Casa Civil telefonou para os chefes dos ministérios pedindo que entreguem seus cargos já. Essa é uma tentativa de neutralizar o impacto da renúncia da ministra da Cultura, que enviou uma ríspida carta de demissão para a presidente, que está no exterior.

Dilma foi pega de surpresa. A presidente e seus assessores desembarcaram em Doha, no Qatar, por volta de 16h (11h, horário de Brasilia), pouco depois de Marta oficializar em Brasília sua saída.

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O Qatar foi a parada escolhida para a presidente dormir antes de seguir, nesta quarta-feira (12), para o encontro do G20 (grupo das maiores economias do mundo) na Austrália.

Membros de sua comitiva em Doha relataram à Folha que só souberam da carta de demissão de Marta quando desembarcaram.

Não se sabe se Marta ao menos telefonou para Dilma, de maneira privada, durante o voo. No entanto, assessores lembram que a presidente estava em Brasília até esta segunda (10), quando a carta de demissão poderia ter sido entregue pessoalmente –como costuma ser a praxe neste tipo de caso.

ECONOMIA

No pedido de demissão, Marta afirmou que espera que a presidente escolha uma equipe econômica independente e experiente para resgatar a credibilidade do governo e garantir o crescimento do país.

"Todos nós, brasileiros, desejamos, neste momento, que a senhora seja iluminada ao escolher sua nova equipe de trabalho, a começar por uma equipe econômica independente, experiente e comprovada, que resgate a confiança e credibilidade ao seu governo e que, acima de tudo, esteja comprometida com uma nova agenda de estabilidade e crescimento para o nosso país", afirmou a ministra em sua carta de demissão, encaminhada nesta terça ao Palácio do Planalto.

Marta divulgou a carta em sua conta no Facebook.

A presidente só deve começar a definir os nomes de sua futura equipe na próxima semana. A definição mais esperada é o nome do substituto de Guido Mantega no comando do Ministério da Fazenda. A escolha pode sinalizar mudanças na condução da política econômica.

Entre os cotados para assumir a pasta estão o ex-presidente do Banco Central no governo Lula, Henrique Meirelles, e o ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda Nelson Barbosa. Dilma tem sido orientada a escolher de forma rápida, ainda em novembro, um nome com boa interlocução com a iniciativa privada para atenuar as resistências do setor.

Dilma prometeu divulgar o nome do futuro ministro da Fazenda depois que voltar da reunião do G20.

SENADO

Marta retomará sua vaga como senadora por São Paulo, cujo mandato vai até janeiro de 2019.

"Volto para o Senado Federal para representar o Estado de São Paulo, por mais quatro anos, com muito vigor, energia e com o firme propósito de fazê-lo com amplitude, seriedade e grandeza", disse a ministra em sua carta de demissão.

Ela tomou posse na pasta da Cultura em setembro de 2012, no lugar da então ministra Ana de Hollanda. Já foi prefeita de São Paulo (2001 a 2004), deputada federal (1995 a 1998) e ministra do Turismo (2007 a 2008).

Sua substituta imediata na pasta é a secretária executiva Ana Cristina Wanzeler, que também já foi superintendente nacional de repasses da Caixa. Ainda não há nome para ser efetivado ao cargo de ministro.

A saída de Marta da equipe de Dilma já era esperada para as próximas semanas após as eleições.

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Contra ela, pesava um jantar que ofereceu a partidários do lançamento da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência. Marta foi porta-voz do "volta Lula".

Ela exonerou os petistas do Ministério para dar lugar ao PC do B. Um incidente, porém, foi decisivo para selar seu destino.

Durante uma carreata na zona sul de São Paulo, Marta se irritou ao saber que seu suplente no Senado, o vereador Antônio Carlos Rodrigues (PR-SP), era quem ocuparia o caminhão reservado à presidente Dilma Rousseff. Para Marta, estava destinado uma vaga no segundo carro alegórico.

O incidente ocorreu em setembro, em Santo Amaro, reduto de Antônio Carlos. Marta subiu no carro de Dilma mesmo assim. Antes bateu boca com o presidente do PT, Rui Falcão, dizendo que ela é quem tem voto na região. Não o presidente do partido.

Falcão -que já foi fervoroso aliado de Marta- levou o caso ao conselho da campanha de Dilma. Disse que a situação era insuportável.

Os petistas se queixavam ainda da tímida participação de Marta na campanha eleitoral. Segundo eles,uma atuação mais apaixonada poderia ter ajudado Dilma em São Paulo, Estado em que perdeu para o então candidato Aécio Neves (PSDB).

SERRA

De volta a seu gabinete no Senado, Marta deverá ser vizinha de José Serra (PSDB), senador eleitor por São Paulo, em uma das alas mais nobres da Casa.

O tucano herdou o escritório de Eduardo Suplicy (PT), que perdeu a cadeira na Casa para Serra após 24 anos de mandato. Nos últimos anos, o petista dividiu os corredores da Ala Dinarte Maris com Marta Suplicy.

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Catia Seabra
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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