sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Marina diz que dados sobre miséria foram 'omitidos' para proteger Dilma


Imagem: Reprodução ; Redes Sociais
Terceira colocada na disputa pelo Palácio do Planalto, Marina Silva (PSB) publicou nesta quinta-feira (6) um artigo em que diz que representantes do governo federal "omitiram deliberadamente" dados oficiais sobre a economia do país para proteger – e não constranger – a presidente Dilma Rousseff (PT) durante a campanha.


A ex-senadora usou de exemplo os dados divulgados na quarta-feira (5) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), que mostram que a miséria no Brasil aumentou pela primeira vez desde 2003, quando o PT assumiu a Presidência da República e o indicador começou a cair. Entre 2012 e 2013, o número de pessoas que vivem com renda mensal abaixo de R$ 70 passou de 3,6% para 4% da população.

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"O Ipea, órgão vinculado à Presidência da República, adiou o anúncio das estatísticas sobre pobreza e miséria no país e alegou que tal decisão era para não favorecer nenhum candidato (na verdade, não queria oferecer constrangimento à candidatura petista)", diz a pessebista no texto publicado em seu site oficial.

Para endossar o discurso, Marina disse ainda que Dilma "autorizou reajuste de preços, alta de juros e divulgação de informações que na campanha negava ou condenava". Para ela, "a realidade se mostra na exposição de dados oficiais omitidos, deliberadamente, por representantes do próprio governo durante a campanha presidencial."

A redução das receitas tributárias também foi citada por Marina. "A tática de esconder maus resultados foi seguida pela Receita Federal que, na véspera do segundo turno, determinou que estatísticas sobre a arrecadação em setembro não poderiam ser expostas ao público antes da contagem dos votos", disse. "No último dia 29, a expectativa dos especialistas sobre a redução das receitas tributárias se confirmou. Entraram nos cofres do governo R$ 90,722 bilhões, valor 4,42% inferior ao registrado em agosto. Mais um forte sinal da retração acentuada da economia brasileira."

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Sem mandato, Marina tenta se manter como uma das principais lideranças da oposição, posto que deve dividir com o senador Aécio Neves (PSDB), derrotado no segundo turno das eleições. Para isso, cobrou ações do governo e "palavras das autoridades governamentais" sobre o desmatamento da Amazônia e o desempenho dos alunos da rede pública nas disciplinas de português e matemática, que ainda não foram divulgados.

Marina termina dizendo que, passada as eleições, "aumenta a dose de realidade" no cenário político brasileiro que, segundo ela, era escondida pelo tempo de propaganda eleitoral no "mundo colorido do marketing". 

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Marina Dias
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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