quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Menos de um ano após ser preso, José Dirceu passa a cumprir pena em casa


Imagem: André Coelho / O Globo
Onze meses e 20 dias após ser preso, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu deixou na manhã desta terça-feira pela última vez o Centro de Progressão Penitenciária (CPP) de Brasília, onde cumpria pena em regime semiaberto. Dirceu foi para o trabalho e compareceu nesta tarde à Vara de Execuções Penais (VEP) para ser informado dos termos da prisão domiciliar que passa a cumprir a partir de hoje. Em seguida, passou novamente no escritório de advocacia onde trabalha e foi para casa.


Antes de ser liberado, o ex-ministro ouviu uma palestra de um dos juízes sobre direitos e obrigações dos presos em regime domiciliar.

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- A palestra foi muito boa, muito oportuna - disse Dirceu ao advogado José Gerardo Grossi, que ofereceu emprego a Dirceu em seu escritório.

Ele chegou à VEP em um carro preto e aguardou por cerca de dez minutos em uma entrada lateral. Depois, o carro deu a volta no prédio e o deixou em frente à porta principal. Dirceu desceu acompanhado do advogado José Luis de Oliveira Lima e passou entre jornalistas. Alguns populares que estavam na entrada gritara “ladrão”.

Antes, a saída da prisão, de acordo com o site do jornal O Estado de S. Paulo, foi marcada por uma confusão com a equipe do programa Pânico, da TV Bandeirantes. O ex-ministro gritou com o humorista que tentava entrevistá-lo, e seguranças impediram que lhe fosse entregue um maço de dinheiro.

Condenado a 7 anos e 11 meses de prisão por corrupção ativa no processo do mensalão, Dirceu foi preso em 15 de novembro do ano passado. Ficou no presídio da Papuda até julho, quando foi transferido para o CPP e começou a trabalhar no escritório de advocacia do amigo José Gerardo Grossi com salário de R$ 2,1 mil mensais. Com o trabalho dentro e fora do presídio conseguiu remissão de 142 dias de pena. O ministro Luís Roberto Barroso concedeu então a progressão para o regime aberto. Como em Brasília não há casa do albergado para os condenados neste regime, o ex-ministro poderá ficar em casa.

O ex-ministro foi para o escritório de Grossi, de onde saiu rumo à VEP. Ele terá de ficar em casa das 21h às 5h nos dias úteis e todo o tempo nos finais de semana e feriados. Dirceu não poderá portar armas, fazer uso de bebidas alcoólicas, frequentar bares nem deixar o Distrito Federal sem autorização judicial. Ele terá de comparecer à VEP a cada dois meses e não poderá ter contato com outros condenados.

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Eduardo Bresciani e Jailton de Carvalho
O Globo
Editado por Folha Política
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