sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Mensagens indicam que cunhada do tesoureiro do PT recebeu dinheiro de empreiteira


Imagem: Alan Marques / Folhapress
A Polícia Federal interceptou mensagem eletrônica que indica, segundo o Ministério Público Federal, que um representante da empreiteira OAS mandou entregar R$ 110 mil a Marice Corrêa Lima, cunhada do tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, e ex-coordenadora administrativa do PT nacional.

O Ministério Público Federal chegou a pedir a prisão preventiva de Marice, mas o juiz federal Sergio Moro, de Curitiba (PR), indicou necessidade de cautela e não autorizou a prisão.


"Entendo que o fato deve ser melhor esclarecido, não havendo prova que justifique a prisão temporária dela. De todo modo, para fins investigatórios, autorizarei a medida menos gravosa de sua condução coercitiva para prestar depoimento", escreveu o juiz. Marice foi conduzida na quinta-feira (13) por policiais federais para prestar esclarecimento no inquérito da Operação Lava Jato.

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A Folha tentou falar com Vaccari Neto na manhã desta sexta-feira (14) em seu telefone celular, sem sucesso. A OAS não quis se pronunciar sobre a suspeita em torno de Marice. Ela não foi localizada pela Folha.

Em 2005, em meio ao escândalo do mensalão, o então tesoureiro nacional do partido, Delúbio Soares, confirmou ter orientado Marice a entregar R$ 1 milhão em espécie ao diretor comercial da empresa têxtil Coteminas, Eurípedes de Freitas, em 17 de maio de 2005, com recursos que pertenciam ao caixa dois do partido. O dinheiro foi entregue, segundo o tesoureiro, por Marice. O executivo da Coteminas confirmou depois que seus contatos no PT nacional eram Delúbio e Marice.

Caso seja comprovado, o recebimento de recursos da OAS por Marice trata-se do primeiro elo concreto entre as empresas envolvidas no atual escândalo da Petrobras e João Vaccari Neto. Durante depoimentos prestados em delação premiada, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa havia dito ter tomando conhecimento de que Vaccari recebia, em nome do PT, recursos do esquema mantido por empreiteiras na Petrobras.

Segundo a representação feita pelo Ministério Público ao juiz Sergio Moro, que baseou a deflagração, ocorrida nesta sexta-feira (14), da nova fase da Operação Lava Jato, Marice recebeu os recursos em um apartamento no bairro de Bela Vista, em São Paulo, em dezembro de 2013. O dinheiro, segundo os procuradores, foi enviado por José Ricardo Nogueira Breghirolli a pedido de Youssef.

Na decisão judicial, o juiz Moro explicou que as trocas mensagens indicam que José Ricardo "era o responsável, junto à OAS, pelos contatos e negócios" com o doleiro Alberto Youssef, "inclusive para remessas fraudulentas ao exterior". Registros obtidos pela PF indicam que Breghirolli esteve pelo menos 26 vezes no escritório mantido pelo doleiro Alberto Youssef na rua Doutor Renato Paes de Barros, em São Paulo. O juiz escreveu que o escritório era voltado para "lavagem de dinheiro".

A representação do Ministério Público indicou outras entregas de dinheiro protagonizadas em tese por representantes da OAS e a pedido de Alberto Youssef. Em março de 2014, o doleiro teria mandado entregar R$ 500 mil em um endereço em Porto Alegre. Em fevereiro último, outros R$ 66 mil na mesma cidade.

Ouvida pela Folha na época do escândalo do mensalão, Marice disse que não tinha "autorização nem autoridade para fazer isso".

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Mário César Carvalho e Rubens Valente
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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